O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Descobrindo e Descobrindo-se

 

Rodolfo Pamplona Filho

Ele se achava tão delicado, 
um ser sensível e feminino
Que havia esquecido 
o homem que habita em si
Ele achava que sabia 
como elas sentiam 
que nem percebeu 
o quanto eram diferentes
Quando a viu chorar,
a sua dor virou a dele
e, só então percebeu 
que seu lado feminino 
nunca será completo...
Ele é feminista, 
compreensivo, amigo
e companheiro...
mas ela é uma mulher.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ele e Ela






Rodolfo Pamplona Filho

Ele dorme fácil e profundamente. 
Ela demora a dormir e seu sono é leve.
Ele diz que não tem ciúmes.
Ela é assumidamente ciumenta.
Ele não tem fé
Ela não acredita na existência sem.
Ele é metódico
Ela é bagunceira
Ele pensa demais
Ela é impulsiva
Ele a ensina a pensar um dia apos o outro
Ela o lembra que a vida corre rápido
Ele tem a calma que ela precisa
Ela tem a vontade de viver que ele admira
Eles torcem para times diferentes
Votam em partidos diferentes
Reagem de forma diferente ao mundo...

Aos olhares alheios, somente podem ser
apenas um belo (e heterodoxo) casal...
mas, na essência, são complementares:
Ele buscava um amor, ela também...
Um dia, seus olhares se cruzaram
e, desde então,
ele é dela e
ela é dele.

Salvador, 02 de julho de 2017.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Uma Mulher Torta






Rodolfo Pamplona Filho


Amo uma mulher torta
com olhos tortos
com dentes tortos
com pernas tortas
mas somente ela
consegue me endireitar 
e me fazer feliz

Amo uma mulher torta
que torce para o time errado
que vota no partido errado 
que sempre me entende errado
mas somente ela 
é a mulher certa 
para me fazer feliz.

Paris, 23 de junho de 2017.

terça-feira, 18 de julho de 2017

O Canto do Cisne





Rodolfo Pamplona Filho


A proximidade da despedida
faz com que a melodia
mais encantadora
seja continuamente entoada,
como a forçosamente lembrar
os momentos de fascinação
que ficaram no passado
e que nunca voltarão...
Assim, sai de cena o Cisne,
dando lugar, no palco da vida,
a quem viverá o futuro...

Madrid, 06 de outubro de 2012.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Conquista em Ciudad Real




Rodolfo Pamplona Filho

Vini, vidi et vici.
O sabor da conquista
é maravilhoso e inesquecível.
Realizar em tempo recorde
aquilo que outros
não conseguem fazer
em toda uma vida
é uma satisfação
que não se quer abrir mão...
Sentir-me como meu amado
Esquadrão de Aço,
buscando mais um...
mais um título de glória
é uma felicidade comparável
a escrever um livro,
plantar uma árvore
ou ter um filho:
é preciso viver para sentir!
E tudo que fica
é a sensação
e a vontade de dizer:
Para o alto e avante!


Ciudad Real, 04 de outubro de 2012

domingo, 16 de julho de 2017

Aprisionado



Rodolfo Pamplona Filho


A vida além das grades
não passa de uma lembrança
de um sonho longínquo
e a esperança da liberdade
é um sussuro em meio
a um violento tornado...
E, neste fio quase invisível,
busca-se um poder sobrenatural
de adentrar o coração das trevas
sem medo e sem ser incomodado,
para salvar sua vida
das ignonímias infernais
sofridas neste purgatório...
O que será esta força?
A certeza de que é melhor
morrer em pé do que de joelhos...

No trem de Pamplona para Madrid, 03 de outubro de 2012.


sábado, 15 de julho de 2017

Azul Profundo (uma releitura para Marlus)



Rodolfo Pamplona Filho

A conjunção das variáveis
solares, físicas, angulares
faz surgir...  ( : o inacreditável...

Entender que a luz altera
o tom, a cor encanta,
ao transpor, do verde, anil
Mergulhar, azul profundo,
água do Cair - Be
ou do mar Santorini
ou domar Santa Irini

Planar seu... céus e planos,
como no vôo de Ícaro
ou Gagarin no espaço

Revelar eclipses,
caminhos carinhos,
nús horizontes
Saber o mistério do mistério,
a que destina o segredo,
do desejo, o impulso


De onde vem este encanto,
entorpecente encontro)
que inebria sem embebedar?

o que quer a vida...
viver  uma vida
sem saber teus olhos?

Santorini, 27 de setembro de 2012

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Voltar a Viver




Rodolfo Pamplona Filho


Meu Deus...
Quanto tempo desperdiçado...
podendo estar ao seu lado...
meus olhos se perdem
e se confundem
com o verde do mar...
e trazem a lembrança
que me faz sonhar...
que você é real
e que quero te abraçar...

Mas este mesmo Deus
permitiu-nos o reencontro...
para o qual finalmente
estávamos prontos...
o que talvez, na verdade,
não fosse possível no passado...
pela intensidade e maturidade
do puro amor revelado...

E a cada momento vivido,
que, para muitos, seria incompreensível
é cada dia mais bonito...
é cada dia mais incrível...
e me concede a certeza
de ser um presente da natureza
com uma indescritível beleza...

E não tenha dúvida de que algo nasceu
com animus de definitividade,
o que prova que serei sempre seu
e que voltar a viver não tem idade...

Salvador, 05 de outubro de 2010.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Olhando os Campos da Espanha




Rodolfo Pamplona Filho


Olhando os Campos da Espanha,
pensei em toda minha existência,
a caminho de Pamplona,
origem e destino fundidos,
sem saber o que o futuro reserva
para cada momento a viver,
cada desafio a enfrentar
e cada decisão a tomar...

Sentado horas no trem,
entretido com imagens na janela
e ouvindo meu amigo Daniel a cantar
no music player do celular,
satisfeito com o passado construído,
revi cada instante vivido,
cada batalha vencida
e cada resolução assumida...

Esperando o tempo passar,
vi-me menino carente e homem feito,
com desejos ainda a saciar
e a nutrir esperanças de voltar
a acreditar em algo a encantar
cada segundo que resta da lida,
cada tarefa a ser perseguida
e cada mudança nos rumos da vida...

Olhando os Campos da Espanha...

No trem de Madrid para Pamplona, 02 de outubro de 2012.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A Mulher que mais amo na vida





Rodolfo Pamplona Filho

Há uma mulher que eu amo:
não há sensação melhor
do que colocá-la para dormir
e esperar seu despertar...

Há uma mulher que eu amo muito:
não houve dia mais feliz
do que o dia em que ela surgiu em minha vida,
dando sabor ao que era insípido,
dando cor ao que era apagado,
dando luz ao que era trevas...

Há uma mulher que eu amo demais:
cada ato por ela praticado,
cada palavra por ela dita,
cada ar que ela respira
aumenta a minha alegria infinita

Há uma mulher que eu amo bastante:
se o amor é inesgotável,
para ela, é o suficiente,
pois tudo que sou somente fez sentido
por, um dia, tê-la, nos meus braços, recebido.

Há uma mulher que eu amo loucamente:
por ela, mato e morro;
luto e não desisto; choro e rio;
no sol, chuva, calor ou frio.

Há uma mulher que eu amo...
É a mulher que eu amo mais na vida!
A mulher que eu amo mais na vida
é você, minha filha!

Praia do Forte, 10 de outubro de 2010.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Mágoas




Rodolfo Pamplona Filho


Há quem prefira
vender uma amizade
por um cachê artístico;
desprezar um amor puro
por ouvir a opinião de uma prima;
desprestigiar o trabalho alheio
para tentar se auto-afirmar;
esquecer uma fraternidade solidária
para soar de vítima da situação;
humilhar com ar de superioridade
a efetivamente investigar o ocorrido;
tripudiar a imagem de colegas
para posar de voz da maioria;
blefar descaradamente e sem pudor
do que aceitar ajuda desinteressada;
ignorar a presença e o cumprimento
em vez de tentar um diálogo honesto;
fazer troça da desgraça alheia
para se sentir aceito no grupo;
perseguir incansavelmente
por não tolerar o diferente;
jogar fora a chance de fazer o Bem,
para se deleitar com seu veneno...

Isso só gera mágoa,
que vira raiva,
até se converter,
se houver o remédio
do esquecimento,
em profunda indiferença,
mesmo sendo cicatriz,
que não se apaga,
para ensinar
em quem vale confiar...

Pamplona, 03 de outubro de 2012, pensando sobre o passado...

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Sabedoria em Efésios 5, 15-21



Rodolfo Pamplona Filho

Sabedoria é mais do que
algo de tudo conhecer...
é saber lidar com o tempo,
a vontade e os desejos...
pois não saber dominar o tempo
é se tornar escravo dele...
pois não administrar a vontade
é ser dominado por ela...
pois não depurar seus desejos
é se entregar a eles...

O controle do tempo não significa
conseguir fazer tudo na vida,
mas, sim, saber o que se prioriza
e o que nem entra na lista...
A vontade não pode se resumir
ao que dá certo,
mas sim a intenção
que se leva no coração...
Saber qual é o seu desejo
não é negar a própria satisfação,
mas ter plena e efetiva consciência
do que é vital para a sobrevivência.

Salvador, 21 de outubro de 2012, refletindo sobre a palavra do Pastor Afa Neto...

domingo, 9 de julho de 2017

A Palavra




Rodolfo Pamplona Filho


A palavra encanta
e provoca a reflexão
Se a imagem diz muito,
a palavra diz tudo,
para sábios e incultos,
na medida do seu alcance...

Madrid, 01 de outubro de 2012.


sábado, 8 de julho de 2017

Todo mundo é vítima





Rodolfo Pamplona Filho


Todo mundo é vítima
e ninguém assume a culpa
Todo mundo é vítima
e se pode fugir da luta
Todo mundo é vítima
e se empurra a responsabilidade
Todo mundo é vítima
e não se muda nada de verdade
Todo mundo é vítima
e há argumento para tudo
Todo mundo é vítima
e punir é um absurdo
Todo mundo é vítima

No Trem de Madrid para Pamplona, 02 de outubro de 2012.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Soneto da Sintonia Infalível




Rodolfo Pamplona Filho

Ainda que divididos pelo Atlântico
e por fusos horários incompatíveis,
o que um sente de um lado,
o outro automaticamente responde.

Se um levanta assustado,
encontrará o outro conectado,
como se a energia gerada
fosse automaticamente repassada.

É realmente impressionante,
como tudo surge em um instante,
permitindo a imediata compreensão

pois o que, para muitos, é acaso,
para mim, é o mais evidente traço
de uma sintonia infalível de paixão.

Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Necessidade de Reclamar




Rodolfo Pamplona Filho


Há indivíduos que
mal comem feijão com arroz
e querem questionar
a qualidade do champagne...
Pessoas que não sabem distinguir
um idioma de um dialeto,
um prato de um lanche
ou uma casa de um lar
e querem posar para a sociedade
como sacerdotes do culto,
vestais do templo
ou oráculos da verdade...
Pobres diabos,
eles não sabem
o que fazem, pois
sua vontade de viver
se confunde com
sua necessidade de reclamar...

Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Soneto da Dissonância Cognitiva




Rodolfo Pamplona Filho


Contrastar uma crença básica
em oposição diametral à outra.
Viver uma vida antropofágica,
devorando o que está à solta.

Declarar-se algo
que se sabe que não se é...
pois tudo que conquistou
foi baseado em um temor

que deixou de existir,
passando a viver
somente para repetir

o que nem mais se crê,
em  uma forma de auto-punir,
ao impor a si mesmo um sofrer...

Mikonos, 24 de setembro de 2012.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Medicina



Rodolfo Pamplona Filho


É no Santuário de Sculapio,
em que Hipócrates separou
o Logos da Cega Crença,
que se depositam as esperanças
de quem ainda crê em salvação,
não da alma perdida ou maltratada,
mas, sim, do corpo massacrado,
entregue às intempéries da saudade,
no sofrimento da enfermidade.
Não se sabe quem cura:
se Deus ou a mão do homem...
Isto pouco importa para quem busca
a retomada do vigor,
o reencontro do calor
e a superação do torpor
do sofrimento e da dor.

Atenas/Grécia, 29 de setembro de 2012, pensando no Templo de Sculapio.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Sagapo




Rodolfo Pamplona Filho

Kalimera,
agapi mou!
Giassou,
minha Athenea!
Deixe-me ser seu Colosso,
parakalo,
procurar suas curvas
e cavernas de Santorini...
Fugirei para Patmos,
pregarei em Éfeso
e sonharei em Mikonos.
Quero ser sua Acrópole,
matando o minotauro em Creta
seemera et avrio.
Seja a minha forma clássica:
dórica, jônica ou korinthia...
Sagapo, meu Parthenon!
Se me fascinam
as mulheres de Atenas,
da vida, eu quero
somente você apenas.

Atenas/Grécia, 29 de setembro de 2012.

domingo, 2 de julho de 2017

Reconstruindo a História



Rodolfo Pamplona Filho


Desde a supressão
de um personagem
em Guerras Secretas
até a retirada de fotos
de um mural institucional,
passando pela defesa
da concepção imaculada
(e da permanência virginal,
mesmo após o parto
e com a continuidade
da vida conjugal...),
tudo pode ser visto
ou revisto,
sob a ótica,
a filosofia
e a ideologia
de quem conta
a história...
Assim, fica fácil
falar dos mistérios da fé
ou de eleições com
votos de sangue
ou 100% de aprovação...
E quando se percebe
a profunda manipulação,
surge a reforma,
a contra-reforma,
a marcha de protesto
ou a primavera árabe,
em que quem
não está acostumado
a ser sequer contestado
tem de ser confrontado
com sua situação
de ditador de plantão,
mesmo sem clara intenção
de se tornar seu próprio
objeto de adoração.

Madrid, 01 de outubro de 2012.
Postado por Rodolfo Pamplona Filho às 05:30 Nenhum comentário:
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

sábado, 1 de julho de 2017

Diretiva da Vergonha




Rodolfo Pamplona Filho

Fui detido
- não acredito! –
Em um Campo de Concentração,
Digo, um Centro de Detenção

Fui detido
Sem crime cometer
Sem matar, nem roubar
Ou a ninguém prejudicar

Fui detido
Sem direito de defesa
Como se estar sem documento
Fosse um bilhete direto para o inferno

Fui detido
Pelo crime de ter esperança
De buscar um novo horizonte
Para mim e minha família

Fui detido
Pelo pecado de sonhar
Por uma nova vida enfrentar
Com disposição para trabalhar

Diretiva
Diretriz
Direção
Que eu não quis...

Retorno
Resolvo
Revolto
Expulsão...

Ilegais são atos, não pessoas.
Indignos são preconceitos escondidos
Em um revival de tempos idos
Em que se separava as pessoas pela origem

Fui detido
- é certo! –
Não pelo que fiz ou faria
Mas pelo crime de SER HUMANO

Ciudad Real, 28 de setembro de 2009