O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

domingo, 30 de abril de 2017

sábado, 29 de abril de 2017

Ampulheta

Rodolfo Pamplona Filho

Um dia, ganhei uma ampulheta
e pensei em como o tempo flui,
mudando projetos e sentimentos,
vendo escoar as areias do tempo
e torcendo para que o destino sorria...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Enduro


Rodolfo Pamplona Filho 

Quero escalar você lentamente,
conhecendo cada atalho ou curva,
subindo suas escarpas com firmeza
até alcançar o seu cume...
Desbravar suas corredeiras,
penetrar em suas cavernas,
deslizar em suas encostas
e me pendurar em seus vales.
Passear de tirolesa em seus encantos
Mergulhar em suas cascatas
Subir ao seu pico nevado
e descer até a sua base
Descobrir a nascente de seus rios
e conhecer seus afluentes
Explorar toda a sua extensão
até conquistar seu coração.

No caminho para Machu Picchu, 14 de abril de 2017.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Lugar de fala


Rodolfo Pamplona Filho 

É preciso mesmo
ter sentido na pele
para sustentar
um posicionamento?
É necessário
passar o dissabor
para defender
o sofredor?

Será que a empatia
não libera a poesia
de se sentir irmanado
a quem sofreu o atentado?
Será que a fraternidade
não é aceitável
como esforço da humanidade
para reparar o irreparável?

O ideal do lugar de fala
é ser lugar de quem não se cala,
e que, mesmo não tendo sofrido a dor,
sabe reconhecer o seu valor
Se é certo que traz legitimidade
ao apresentar sua verdade,
exigir sua aplicabilidade
como única verdade
também pode se tornar
um mecanismo de exclusão,
em uma profunda distorção
de uma boa e sincera intenção.

Salvador, 18 de março de 2017, terminada em Machu Picchu, 14 de abril de 2017.                      

quarta-feira, 26 de abril de 2017

As Dificuldades da Vida



Rodolfo Pamplona Filho 

É impressionante
como, para algumas pessoas,
tudo flui naturalmente,
enquanto, para outra gente,
é um parto de elefante:
algo definitivamente anormal
fazer algo que soa
entre o banal
e o sensacional.

Cusco, 11 de abril de 2017.                      

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Maltratado



Rodolfo Pamplona Filho

Apanhar quando se espera carinho
Ser acusado quando se queria um beijo
Explicar o que já foi entendido
Desculpar-se pelo que não fez
Um choro calado
pela surpresa da reação
Uma tristeza profunda
pela incompreensão
Uma saudade incontida
de um simples abraço
Uma lembrança bendita
de que ainda existe esperança.

Cusco, 15 de abril de 2017.

domingo, 23 de abril de 2017

Incompletudes e Idiossincrasias


Rodolfo Pamplona Filho 

Mulher sem ciúme
Homem sem barriga
Criança sem sorriso
Festa sem bebida
Férias sem viagem
Casamento sem DR
Menstruação sem TPM
Emprego sem patrão
Trabalho sem produção
Poeta sem musa
Poesia sem inspiração
Alegria sem você

Cusco, 15 de abril de 2017                  
                     
                 

sábado, 22 de abril de 2017

Desejos



Rodolfo Pamplona Filho 

Quero alguém
para junto envelhecer,
mas não quero
ficar velho.

Quero alguém
para me amarrar,
mas não quero
perder minha liberdade.

Quero alguém
para realizar o sonho
de viver
uma nova realidade.

Cusco, 13 de abril de 2017.  

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Um alentejano sozinho...



Rodolfo Pamplona Filho 

Um alentejano sozinho
é mais do que
o desfrute de uma boa bebida:
é a prova inequívoca
de um coração
inquilino da solidão...

Salvador, 08 de março de 2017, uma quarta-feira solitária...⁠⁠⁠⁠

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Provar a Dor



Rodolfo Pamplona Filho 

Ver-te no provador
é provar a dor
de não ter-te,
mas entreter-te
para provar que a dor
verte a cada ver-te
sem ter-te,
na vertente
de ter uma prova
de que serei só teu.

Salvador, 06 de abril de 2017.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pessoas Procuradas



Rodolfo Pamplona Filho

Pessoas
hoje procuradas
já foram
em algum momento
apenas
pessoas perdidas

Lima, 10 de abril de 2017.

O Som do Silêncio



Rodolfo Pamplona Filho

Há diálogos que tem
mais reticências
do que palavras...

Salvador, 06 de abril de 2017.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Livre como um Pássaro


Rodolfo Pamplona Filho

Você sabe
que não estou acostumada
com regras ou ordens
Sempre fui livre
e se tentam
me impor algo,
reajo de forma rebelde...
Sou felizmente condenada
à minha própria liberdade,
em que o único sentido
da minha existência e vida
é simplesmente ser e viver...


Salvador, 02 de abril de 2017.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Linguagem da Violência


Rodolfo Pamplona Filho 

Há quem só entenda
a linguagem da violência,
em que a razão
e a possibilidade
de diálogo
são simplesmente substituídas
pela força de quem pode mais.

Salvador, 14 de março de 2017.

domingo, 16 de abril de 2017

Império Inca



Rodolfo Pamplona Filho 

O ouro já foi
o sangue
ou suor do sol
A prata seria
a lágrima da lua
em pleno dia
A riqueza de outrora
foi usurpada
como conquista
e a Glória do passado
somente ficará
na memória
dos livros de história.

Lima, 9 de abril de 2017.

sábado, 15 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Desabafo



Rodolfo Pamplona Filho 

Eu me irrito profundamente
com quem
nunca deu uma aula
e quer mostrar como ensinar;
nunca teve um filho
e se arvora a dizer como educar;
nunca escreveu um verso
e quer analisar poesia;
nunca fez um texto
e quer criticar um livro;
nunca compôs uma canção
e quer dar pitaco na música;
nunca trabalhou na vida
e opina sobre o resultado alheio;
nunca organizou nada
E quer dizer como se faz;
nunca acertou uma dentro
e acredita saber o que é certo.

Cusco, 11 de abril de 2017.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Destino do Sobreiro

Rodolfo Pamplona Filho



Rodolfo Pamplona Filho


A consciência da finitude

permite a tranquilidade

de investir em um futuro

que certamente não se verá...

Afinal, a cortiça é recolhida

por quem não cultivou,

o fruto é desfrutado

por quem não o plantou

e ninguém limita

o alcance do amor...



A caminho de Évora, 01  de julho de 2015...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Canção da Partida sem Despedida


Letra e Música: Rodolfo Pamplona Filho

Você não pensa em sua vida,
mas sabe que o tempo
corre como um louco
e está contra você!...


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sede de Viver


Rodolfo Pamplona Filho

Eu quero viver intensamente
como se fosse morrer de repente
sem nova chance, irremediavelmente...
Eu quero uma vida sem rotina
onde cada dia tenha a sina
de, do outro, ser diferente...

Eu quero nunca ficar sozinho,
mesmo que, alguns momentos,
eu precise estar só para pensar!
Eu quero dar atenção a todo elemento
que precisar de mim, para ajudar,
acreditando que, alguém, posso mudar!

Eu quero que minha mulher
seja simultânea mãe, parceira,
amante e companheira!
Eu quero acompanhar diariamente
o crescimento de meus filhos
e ser seu melhor amigo eternamente!

Eu quero colocar para fora
todos os sentimentos que guardo
no peito que trazem um gosto amargo!
Eu quero produzir tudo que outrora
programei, um dia, escrever,
plantar, compor, construir ou ler!

Eu quero me sentir desejado,
como nunca antes no passado,
e minha energia não sublimar...
Eu quero aprender a me vestir,
saber onde chegar e de onde vir
o que, com quem e como falar...

Eu quero fazer amor outra vez
com o desejo de quem nunca fez
e o conhecimento da experiência!
Eu quero chorar de felicidade
e sorrir na adversidade,
lutando pela sobrevivência!

Eu quero tudo isto e muito mais...
mesmo que digam que é olhar para trás,
eu não vou me importar,
pois tudo que der, eu vou fazer,
sem medo de tentar ou errar,
sem receio de me machucar,
na busca, finalmente, de saciar
minha recém-descoberta sede de viver.

Recife, 14 de janeiro de 2011.

domingo, 9 de abril de 2017

Trava-Línguas



Rodolfo Pamplona Filho


Quando contar contos, conte quantos contos conta
e pergunte qual é o doce mais doce que o doce de batata-doce,
pois se o rato roeu a roupa do rei de roma
e o sabiá não sabia que a sabiá sabia assobiar;
se a aranha arranha a rã
e a gaivota, voando em volta, voava e virava de volta;
se o tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem,
tendo o tempo respondido pro tempo que o tempo tem o todo tempo que o tempo tem;
se mesmo que três traças tracem três trajes sem trégua
e entreguem três pratos de trigo para três tigres tristes;
por que o único verdadeiro trava-línguas é Treblebes?

Salvador, 15 de agosto de 2010

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Milk-Shake do Bob's

                                               

Rodolfo Pamplona Filho

Sinto falta do seu carinho...
Sinto falta do meu cantinho...
Sinto falta de todo mundo...
Sinto falta de você...

Choro quando vejo um filme triste
Choro quando brigo com dedo em riste
Choro quando a melancolia persiste
Choro quando sua companhia inexiste

Sou...
um passarinho com fome no ninho
um abandonado chorando sozinho
uma criança esperando um abraço
alguém querendo estar em seus braços
Sou...
um Milk-Shake do Bob's

Salvador, 15 de setembro de 2010.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Corrupção é inevitável?


Rodolfo Pamplona Filho 

Desde Cabral,
algo vai muito mal
no território nacional.

É a sensação
de que toda ação
precisa de um empurrão...

Não de impulso,
mas de um recurso
que nem todos têm...

É a decadência
que enfraquece a crença
e esgota a paciência...

Achar que é normal
ganhar algo a mais
para fazer o que faz...

Onde ser honesto
deixa de ser virtude
para virar defeito...

Onde fazer o certo
deixa de ser correto,
por achar não ter jeito.

Pare com isso
e grite bem alto:
eu não sou assim!

Pois viver de verdade
é saber que a esperança
nunca terá fim!

31 de março de 2017, no vôo para Recife...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Brigadeiro de Colher

Brigadeiro de Colher (soneto)

Rodolfo Pamplona Filho
Como é bom se sentir criança
lambendo os beiços para aproveitar
o gosto que traz a lembrança
de quando nada havia a preocupar...

A sensação gustativa da memória
que o sabor do doce lança
faz acender a própria história
que é maior que encher a pança,

pois significa simplesmente reviver
a primeira manifestação de prazer,
muito antes de ser homem ou mulher,

pois, antes de qualquer orgasmo,
o seu primeiro grande espasmo
foi provar um brigadeiro de colher.


São Paulo, 09 de junho de 2013.

domingo, 2 de abril de 2017

Passarinho Preso


Rodolfo Pamplona Filho
Passarinho Preso
Luta por liberdade
mesmo sem saber
de verdade
Contra o que
está lutando

Não consegue perceber
que o vidro impede
ultrapassar o limite
imposto pelas circunstâncias,
mas, mesmo assim,
ele se joga adiante...

E se machuca...
E se fere...
E se extenua...
Mas não desiste...

E, por vezes, o olhar do monstro
ou o susto do terror
não é um sinal da morte,
mas, sim, da renovação
da esperança da saída,
em que a dor e o medo
são o que nos impelem
a continuar tentando...
até o fim...
... qualquer que seja ele...


Salvador, 24 de novembro de 2013, na rede da varanda da casa...

sábado, 1 de abril de 2017

Violões

Violões

Rodolfo Pamplona Filho
Ninguém nunca me ensinou
a afinar um violão...
Foi a vida que me mostrou
como trabalhar a tensão...
E, muitas vezes, vi romper
cordas novas e imaculadas
que pareciam, a meu ver,
prontas para suas baladas...

Ninguém nunca me ensinou
a tocar um violão...
Foi a vida que me levou
a criar minha canção...
Misturando acordes frágeis
de uma peculiar harmonia
com o soar de notas ágeis
a construir a melodia...

Ninguém nunca me ensinou
a cuidar de um violão...
Foi a vida que me forçou
a guardá-lo com atenção,
para que, da tristeza, o espanto
não faça que eu pereça
e, da música, o encanto
jamais desapareça...



Praia do Forte, madrugada de 30 de novembro de 2013, pensando em papear com Fachin...