O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Questão de Caráter



Rodolfo Pamplona


Não há liberdade maior
do que a de ditar leis
a si próprio!
A liberdade não é
fazer o que se quer
quando bem se quer:
isso é simples selvageria!
Há muito mais
de liberdade na obediência
do que na demagogia!
Ser condenado à sua liberdade
não é ser dominado
pela Ditadura da mente vazia,
pois mais livre não é quem recusa,
mas, sim, quem se manifesta
e assume a disciplina da sua autonomia.

Lisboa, 31 de maio de 2016

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O Paradoxo da Onipotência



Rodolfo Pamplona 

Se Deus pode tudo,
como pode Ele
criar uma pedra tão pesada 
que nem Ele possa levantar?
Se pode, 
deixará de poder 
tudo em seguida...
Se não pode, 
nunca foi onipotente...
Melhor ficar com a misericórdia infinita...

Lisboa, 31 de maio de 2016.

terça-feira, 28 de junho de 2016

O Fim do Infinito



                                                                                                                      Rodolfo Pamplona

A corda esticou
O copo encheu
De tanto forçar,
a fruta perdeu o gosto,
o vinho vinagrou
é o prato não tem mais sabor...
Cansei
Tomei abuso
Joguei a toalha
Desisti
De que adianta alimentar
se a comida é cuspida?
De que serve regar
se a água é jogada fora?
Tentei de tudo,
mas, se até o infinito se expande,
uma explosão estabelece
os limites do impensável...

Na estrada para João Pessoa, 24 de maio de 2016.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Soneto da Despedida do Apaixonado








Rodolfo Pamplona Filho

Toques delicados e sorrisos leves,
sob a brisa do mar, ao anoitecer,
e os lábios sabem exatamente o que querem
quando o adeus tem que ocorrer

Preste atenção nos meus olhos:
eles brilham feito ouro
pois desejam, como poucos,
o teu amor sem decoro.

É difícil esquecer teu gosto
e ter que aceitar novos beijos
para manter nossos postos....

Meu coração está no abismo
e anuncia, a cada esquina, sem cinismo,
que a direção pode mudar..




Salvador, 29 de outubro de 2010.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Combate à Acrasia


Rodolfo Pamplona

Disputa entre
Arrependimento 
e Recusa 

Tensão entre
autonomia e
consentimento.

Diálogo entre 
o "eu presente"
e o "eu futuro"

Será que todos nós 
não temos uma preferência 
por não preferir?

Sua preferência pela
não escolha
é perfeitamente honrável 

Já diria Proust:
"A atenção prende
e a rotina liberta"

Coerência é conseguir 
dar uma resposta precisa
aos casos que se enfrenta.

Nem sempre arrepender-se é
uma decisão ética,
mas, sim, animalesca.

No Contrato de Ulisses,
prevalece a decisão manifestada
sobre a liberdade de mudar o combinado.

Pode ser um ensaio clínico,
um testamento vital 
ou uma viagem à Marte,
em que a vontade de antes 
prevalece sobre a vontade do depois,
sem possibilidade de voltar atrás...