O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

sábado, 30 de novembro de 2013

Soneto das Promessas Vãs


Soneto das Promessas Vãs

Rodolfo Pamplona Filho
Promessa celebrada
com evidente fervor,
mas que vale nada
sem qualquer pudor...

Juramentos lançados
com animus de acontecer,
mas totalmente quebrados
sem sequer perceber...

Não saber o que lhe tira o gás:
a tristeza da monotonia
ou a expectativa vazia,

pois o problema não é o que se faz,
mas o que se deixa de fazer:
palavras dadas para não valer...

Salvador, 12 de agosto de 2012.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dura Realidade


Dura Realidade

Rodolfo Pamplona Filho
A vida é um conjunto
de ocorrências aleatórias,
desprovidas de significado
ou qualquer substância.
Nascemos sem qualquer culpa
ou a menor responsabilidade,
sendo expostos, sem misericórdia,
a uma série infinita de humilhações,
projetadas para reforçar
nossa absoluta impotência
diante de um universo
que nunca nos quis...
Mas, ainda assim, resistimos...

Salvador, 12 de agosto de 2012.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Flores


Flores

Rodolfo Pamplona Filho
Flores de plástico
são muito práticas
para ser amorosas...
Flores de verdade
são muito perenes
para ser perpetuadas...
Flores são como amores:
etéreos e eternos,
materiais e espirituais,
que dizem muito de quem dá,
mas também de quem recebe...
As flores são tudo e são nada
para quem as sente,
no toque, no perfume,
e no contemplar
a beleza que se esvai
ou se dilui com o tempo,
mas cujo significado
jamais passará...

Salvador, 18 de agosto de 2012.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Liberdade


Liberdade

Rodolfo Pamplona Filho
Liberdade é
uma palavra
para dizer
que não há mais nada
a perder...

Salvador, 11 de agosto de 2012.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Primeira Vez


Primeira Vez

Rodolfo Pamplona Filho
É um prazer...
Mais: um privilégio!
Tudo aprender
sem sacrilégio...
presenciar
a estréia,
o debutar,
ser mais que platéia...
Celebrar
a primogenitura.
Alcançar
uma nova altura.
Testemunhar
o nascimento.
Nunca mais deixar
de aproveitar o momento.
Ver o rito de passagem
para uma outra etapa.
Fazer uma viagem
sem olhar o mapa.
A perda da inocência
ou da virgindade
é superar a violência
de viver por necessidade.
A certeza da mudança
é o nascer de uma esperança,
pois tudo só toma a mesma tez,
quando se vive a primeira vez.

Salvador, 15 de janeiro de 2012.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Adaptação



Adaptação

Rodolfo Pamplona Filho
Reformar o lustre
para caber na sala
Aceitar que promessas
não passem de palavras...
Fazer amor sem som ou ardor
para não acordar as crianças
Não clamar por calor
para não criar expectativa
Anestesiar a sede de vida
para evitar a despedida
Levar o dia-a-dia sem vibração
só para não se sentir frustração...

Salvador, 31 de julho de 2012.

domingo, 24 de novembro de 2013

Perdão


Perdão

Rodolfo Pamplona Filho
Me perdoa por tudo que sou?
Me perdoa por tudo que não sou?
Me perdoa por tudo que faço?
Me perdoa por tudo que não faço?
Me perdoa por te pedir perdão?
Sei que não preciso perdão...
Sei que não preciso pedir perdão...
Mas a tristeza que me toma
na constatação da minha imobilidade
faz com que eu somente consiga
dizer e mil vezes repetir:
Me perdoa?

Salvador, 31 de julho de 2012.

sábado, 23 de novembro de 2013

Como não entristecer?


Como não entristecer?

Rodolfo Pamplona Filho
Como não entristecer
quando seu parceiro
prefere comer uma marmita
em vez de almoçar fora com você?
Como não entristecer
se a sua carência
é vista como stress
ou crise de meia idade?
Como não entristecer
se o suposto desejo por você
é facilmente substituído
por uma ida ao mercado?
Como não entristecer
se tudo que se vive
é motivo para crise
e não se vê como sair?
Como não entristecer?

Salvador, 31 de julho de 2012.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Trabalho de Grupo


Trabalho de Grupo

Rodolfo Pamplona Filho
"Bote meu nome ai!"
E o que era coletivo
vira exercício de parasitismo,
em que os sanguessugas
do esforço alheio
apenas aproveitam o manjar,
sem efetivamente participar
do processo de desenvolvimento
que permitiu o conhecimento,
vivendo somente a explorar
o suor sem se esforçar,
o sangue sem conquistar
e a lágrima sem chorar...
Nem todos têm a compreensão
de que um trabalho em grupo
é muito mais do que a obtenção
da resposta para uma questão:
é uma tentativa de aprendizado
através da própria experiência,
em que o verdadeiro resultado
é a sensação de sobrevivência
de ter todas as etapas passado
com ética e decência...

Salvador, 02 de agosto de 2012.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Carinho

                                       

Carinho

Rodolfo Pamplona Filho
Preciso demais
Preciso de mais
Preciso de monte
Preciso para ontem...
Preciso para frente...
Preciso para sempre...
Preciso loucamente
Preciso serenamente
Preciso não ser mais sozinho
Preciso imensamente de carinho.

Salvador, 31 de julho de 2012.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Soneto da Relação Cama, Mesa e Banho


Soneto da Relação Cama, Mesa e Banho

Rodolfo Pamplona Filho
Adoro a idéia de uma relação
em uma nova e abrangente versão,
talvez com diferente tamanho,
na cama, mesa e banho...

Cama, por tudo que explode
ou, no mínimo, se pode
fazer em cima ou por causa dela
 (e não necessariamente nela);

Mesa, por ser uma refeição
de mil talheres de satisfação
e de inesgotável prazer;

e banho, por limpar da monotonia,
saciando minha sede, outrora  vazia,
com toda a plenitude do viver.

Salvador, 30 de julho de 2012.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Se o mundo acabar este ano


Se o mundo acabar este ano

Rodolfo Pamplona Filho
Se o mundo acabar este ano,
terei uma terrível frustração,
por ter a sensação
de que não será possível
o mundo conhecer
toda minha poesia
ou de que não consegui saciar
a minha sede de viver,
quando fiz você esperar o filé,
depois de sofrer
com o gosto amargo da tristeza...
O mundo não terminará...

Salvador, 25 de julho de 2012.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Soneto para a Despedida


Soneto para a Despedida

Rodolfo Pamplona Filho
Quem parte para um novo desafio
deixa, em quem fica, a lembrança,
a saudade e a sensação de vazio,
mas também o desejo e a esperança

de que encontre a felicidade,
como nos fez felizes, ao conviver,
em clima de amizade e solidariedade,
nos dando a imensa honra e prazer

de, a cada dia, aprender mais
que cuidado nunca é demais
e que amor é dedicação

a quem afetos coleciona,
pois quem ama não abandona
por que leva o outro no coração!

Salvador, 25 de julho de 2012.

domingo, 17 de novembro de 2013

Coerência de Verdade


Coerência de Verdade

Rodolfo Pamplona Filho
Coerência de verdade
não é viver sempre
do mesmo jeito,
mas, sim, não negar
o que se viveu,
o que se vive
e como gostaria de viver.
Não posso desprezar
a minha poesia,
mesmo que, hoje,
eu a escrevesse
de forma completamente diferente
do que, um dia, concebi.
Não posso negar
os meus sentimentos,
sejam aqueles que tenho hoje
ou outros tantos que já vivi...
Não posso rejeitar
a minha história,
pois foi por causa dela
que eu hoje cheguei aqui...

Salvador, 22 de julho de 2012.

sábado, 16 de novembro de 2013

Caminhada


Caminhada

Rodolfo Pamplona Filho
Ainda falta muito,
mas toda caminhada
começa com o primeiro passo.
O simples fato de andar
já muda a perspectiva
que se tem da própria vida.
Independentemente de onde chegar,
o fato é que o movimento
já tirou você do lugar,
pois não importa o caminho
e até mesmo o destino,
o ato de não ficar parado
já tem o significado
de que, na vida, o mais importante
é o gosto pela mudança constante.

Salvador, 22 de julho de 2012.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Expect, Hope and Wait


Expect, Hope and Wait

Rodolfo Pamplona Filho
Formas diferentes de esperar...
Formas diferentes de, com o tempo, lidar...
Formas diferentes de, a vida, encarar...
Formas diferentes de viver...

Salvador, 22 de julho de 2012.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Amor Doído


Amor Doído

Rodolfo Pamplona Filho
Amar dói
Amar é doído
Amar é doido
Eu nunca vivi
um amor tão sofrido...
Quando machuca,
dilacera o peito
e tira o ar...
Os pedacinhos
que a dor arranca
são como uma tatuagem,
incrustrada na pele,
que é apagada abruptamente...
Sinto por sofrer
Sinto por fazer você sofrer
Sofro com seu sofrimento...
Não há o que dizer,
pois o que eu queria ouvir
você nao pode prometer,
porque não sente
e pior que chorar
é descobrir viver uma mentira...
Talvez eu me sentisse
definitivamente menos triste
se parasse de me doar
para alguem que busca se dividir...
Mas eu nao consigo...

Salvador, 22 de julho de 2012.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A Voz do Maltratado



A Voz do Maltratado

Rodolfo Pamplona Filho

A Indiferença irrita!
Diria mais, machuca,
quando te olham
como se não existisse,
exigindo o que não é devido
para fazer o que é seu dever.
A insensibilidade humilha:
Diria mais, marca,
quando não lhe reservam
a dignidade que se espera
de qualquer ser humano
que trata com o outro.
A rejeição fere:
Diria mais, mata,
pois coloca no sistema a culpa
por anestesiar a simpatia,
desprezar a cortesia
e fulminar o prazer e a alegria.

Santiago, 27 de junho de 2012, sendo maltratado no Banco de Chile.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Beijos


Beijos

Rodolfo Pamplona Filho

Beijos mil, beijos aos milhões,
beijos aos borbotões...
Beijos doces...
Beijos incessantes...
Beijos aos montes...
Beijos excitantes..
Ou mesmo um beijo analgésico,
para a dor de cabeca sarar...
Eu quero um beijo anestésico,
que me permita descansar...
Eu quero todos os beijos
que você possa me dar...
Eu quero atender todos os desejos
que seu coração clamar...
Eu quero...
e esta será sempre minha diretriz...
Eu quero...
e serei finalmente plenamente feliz...

Santiago/Chile, 28 de junho de 2012.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O mais Poderoso Golpe


O mais Poderoso Golpe

Rodolfo Pamplona Filho
Quando você me maltrata
e me joga às traças,
como um brinquedo
que não se quer mais,
eu já não brigo, nem reclamo
e assisto impassível
a indiferença do seu desdém,
esperando um dia
em que eu possa reagir,
não com a violência
dos injustiçados
ou a truculência
dos revoltados,
mas, sim, com a suavidade
de quem ama
e voltou a se sentir amado...
Meu mais poderoso golpe
é e sempre será o meu beijo...

Santiago/Chile, 28 de junho de 2012.

domingo, 10 de novembro de 2013

40 anos


40 anos

Rodolfo Pamplona Filho
Chegar aos quarenta 
é passar do gerúndio 
para o particípio passado;
é deixar de dizer
que está ficando velho,
para ter certeza disso;
é dobrar finalmente 
o cabo da boa esperança, 
chegando na idade 
em que se convence 
que se tem realmente 
mais passado do que futuro...
é quando a melancolia
deixa de ser eventual companhia,
para dar lugar à nostalgia
cada vez mais constante no dia,
sentindo a imensa vontade de viver
algo diferente do que se tem e se é...

Santiago/Chile, 28 de junho de 2012.

sábado, 9 de novembro de 2013

Frustração Amorosa


Frustração Amorosa

Rodolfo Pamplona Filho
O fato de você
insistir em amar alguém
não quer dizer
que saiba fazê-la feliz
Nada fica menor
ou se torna pior
porque termina.
Tudo tem sempre
o mesmo tamanho,
não o que se imagina

Santiago/Chile, 26 de junho de 2012.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Vida sem Graça


Vida sem Graça

Rodolfo Pamplona Filho
Fazer aniversário sem comemorar
Ouvir música sem cantar
Dormir cedo no Réveillon
Transar sem fazer som
Ir para New York e não curtir
Broadway ou Central Park
Contar piadas sem sequer sorrir
ou algo que, enfim, marque...
Querer carinho sem receber
Viver como se fosse inevitável sofrer...

Santiago/Chile, 26 de junho de 2012.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Apego


Apego

Rodolfo Pamplona Filho
Apego é sofrimento
Possuir vira tormento
Debater-se para manter
o que possui (ou pensa deter).
Arrasar-se por não querer
passar sem algo específico ter
Por isso, para ser feliz,
aprenda a dizer não,
das coisas, abrir mão...
e pare de se debater...
descobrindo o prazer
de finalmente
e simplesmente
viver...

Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Soneto para Catarina


Soneto para Catarina

Rodolfo Pamplona Filho

O mundo ganhou nova cor
e se tornou pleno de carinho,
quando o fruto do amor
chegou devagarzinho...

Bem-vinda à vida,
pequena Catarina!
Que seu olhar tranquilo
seja o mais doce abrigo

para acalmar o coração
de quem ama sem juízo
e se entrega em paixão...

Que todo dia seja especial,
como o seu lindo sorriso,
que nos traz paz, afinal.

No vôo de Salvador
para Imperatriz-MA (via Brasília),
09 de novembro de 2011.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Certezas da Vida


Certezas da Vida

Rodolfo Pamplona Filho
Na vida, há mais dúvidas
do que certezas...
Não se sabe quanto tempo se vive,
nem o que se terá às mesas...
Uma convicção, porém,
que todos certamente têm
é que impostos pagarão
e, um dia, morrerão...
Eu, porém, tenho a sorte
de mais uma certeza ter:
que nem terminará a morte
o meu amor por você...

Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Morte na Estrada


Morte na Estrada

Rodolfo Pamplona Filho
Em cada curva
ou na penumbra,
espreita o desconhecido
ou o mais temido,
que ocorre em um instante 
e o risco de morrer
é tão grande
quanto o de viver.
Cruzes são erguidas
onde cada vida se esvaiu,
para que não sejam esquecidas
por quem ainda não caiu
em cada lance sinuoso
ou cruzamento perigoso
que leva ao nada
ou à morte na estrada.

Farellones/Chile, 27 de junho de 2012.

domingo, 3 de novembro de 2013

Saudades do meu amor...


Saudades do meu amor...

Rodolfo Pamplona Filho
Eu sinto sua falta...
Eu amo seus pelos, 
seu gosto, seu rosto, 
tudo que nao me deixa em paz... 
Eu amo sua necessidade de amor
e sua vontade de estar ao meu lado,
como se viver dependesse disso...
"Eu te darei o céu, meu bem,
e o meu amor também..."

Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.

sábado, 2 de novembro de 2013

Compartilhando Carinho de Criança




Compartilhando Carinho de Criança

Rodolfo Pamplona Filho
Sem nojo, frescura ou receio
do convívio naquele meio
e do contato com o moribundo,
que não vive mais em seu mundo.
Mesmo sem as amarras sociais,
cuidar com um carinhoso talento
daquele que não tem tempo mais
e vive seu derradeiro momento
Ser simplesmente criança,
simbolizando toda a esperança,
até daquilo que nunca irá acontecer,
e conversar sobre o que fazer
e qual é a sua vontade,
que independe da idade
e de tudo que reprime
ou da dor que oprime...
E, sem precisar qualquer pedido,
abrir um largo sorriso,
que ilumina qualquer ambiente
e renova o brilho no olhar e na mente
de quem o destino já traçou
o fim de que, fugir, se tentou...

Santiago-Chile, 28 de junho de 2012.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cemitério


Cemitério

Rodolfo Pamplona Filho
Qual é o sentido
de se buscar
um lugar mais agradável
para não ser feliz?
De que adianta mudar
se o lugar aonde se vai
é tão ruim quanto
aquele de onde se veio?
Um cemitério
pode ser melhor
do que outro?
Faz diferença
para os mortos
quem despeja terra
sobre seus corpos?
E se o sepulcro
for sempre caiado
ou ficar abandonado
faz alguma diferença
para quem é ali depositado?
A resposta não é evidente,
mesmo verdadeira e transparente:
não se busca um lugar
de descanso e louvor,
mas, sim, para proporcionar
uma lembrança a quem ficou
a imaginar e a sofrer
por tudo que passou
e por quem não voltará a ver,
pois, para quem partiu,
realmente pouco importa,
onde, como e quem se despediu
de sua inútil carne morta...

Santiago-Chile, 27 de junho de 2012.