O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

AULA DA SAUDADE – FORMANDOS DIREITO UCSAL 2001.2



AULA DA SAUDADE – FORMANDOS DIREITO UCSAL 2001.2

Quando fui informado da minha designação para ministrar a chamada "aula da saudade", fiquei com sérias dúvidas sobre o que deveria falar.
Qual seria o sentido de uma “aula da saudade”?
De certo, não seria a apresentação do equivalente a um pequeno discurso de paraninfia, pois isso seria usurpar uma função para a qual não fui escolhido.
Da mesma forma, proferir uma aula dogmática sobre um tema jurídico, mesmo para um apaixonado pelo estudo do Direito, soaria um tanto insosso e desarrazoado para esse momento, que é o fechamento de um ciclo e o início de uma nova etapa de nossas vidas.
Fazer também um longo relato de vida pareceria pernóstico para alguém de minha idade, pouco mais velho do que a maioria dos formandos e mais jovem do que muitos deles.
Assim, optei por fazer uma exposição, em forma de aula, como solicitado, pelo menos na minha forma de aula, sobre algo que nos parece evidentemente comum: a AMIZADE.
Falar de amizade é algo que me dá prazer.
Falar em amigos, como amigo da turma, é falar do nosso relacionamento, das nossas vidas, sentimentos e esperanças.
Como canta o insuperável Milton Nascimento, “amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, junto do coração, assim falava a canção...”
A palavra amigo é muitas vezes vulgarizada no nosso dia-a-dia.
Falamos em amigos da escola, do bairro, do bar (do Omolu), do baba, amigos, amigos, amigos.
Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar...
Só que a vida nos ensina, e isso cada dia mais cedo, que a amizade é uma jóia tão preciosa que poucos se atrevem a falar que a tenha em abundância.
Amigos adjetivados se tem aos montes; mas amigos-amigos, de verdade, nas mãos, sobram os dedos.
"O amigo é uma marca que a gente leva na testa;
é aquele que está presente quando nada mais nos resta;
não é uma maquiagem que sai com a água e sem saudade,
mas sim uma tatuagem incrustada na alma de verdade...”

Amigo é o pai ou o irmão,
Que a gente elege pelo coração...

Achar um amigo de verdade definitivamente não é fácil.
É achar um tesouro...
É estar a seu lado em qualquer momento, a qualquer hora...
É complicado ser amigo de alguém!

E na procura por um amigo, a gente se machuca muitas vezes.
A gente se engana, elegendo como apóstolos e irmãos pessoas que nos traem com um beijo, com a cara mais limpa do mundo, como se nada tivesse acontecido.
Todavia, nada disso deve nos desanimar na busca pela verdadeira amizade.
São só os ossos do ofício, o preço que se paga, uma espécie de compensação ideal pela imensa felicidade do encontro do verdadeiro Amigo (com “a” maiúsculo).
Há dois anos, por exemplo, saí do corpo docente da UCSAL. Ser lembrado por vocês, depois de tanto tempo, é uma enorme e emocionante prova de amizade.
E é com carinho e estima paternal, que renovo os votos de fidelidade e amizade, votos esses cultivados não somente na sala de aula, mas também no tribunal ou até mesmo em minha casa, onde muitos foram, vão e por certo continuarão a ir.
Mas isso é para ser uma aula! Alguns devem estar pensando: será que ele vai fugir do tema?
Não, se é uma aula sobre amizade, justamente a nossa amizade, é no testemunho do que penso de vocês; do que sinto por vocês e do que acho que vocês devem continuar fazendo e crendo no futuro que se encontram as derradeiras lições.

A primeira coisa que vejo que em muitos de vocês, por mais paradoxal que seja (em uma turma em que a esmagadora maioria está na faixa etária dos vinte e poucos anos), é uma MATURIDADE intelectual precoce.
Um homem não se mede pelos anos que viveu, mas sim das experiências que colheu da vida, por mais curta que seja. Em minha ainda jovem existência, conheci quarentões infantis e vintenários maduros e prontos para a batalha, sem que isso me soasse estranho.
Vejo um enorme potencial intelectual em vários de vocês. Não os nomino individualmente para não parecer injusto ou discriminatório, manifestando eventuais preferências pessoais. Minha intenção, de fato, é apenas lembrar, invocando Caetano, que “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...”
Continuem brilhando! Em cada manifestação oral, cada peça processual, cada artigo redigido, não se esqueçam que vocês foram formados para ser gente, e não papagaios que devem repetir apenas o que já foi pensado em priscas eras, vendo, com Cazuza, “o futuro repetir o passado, um museu de grandes novidades...”
Por isso, outra característica que destaco, nessa aula sobre a nossa amizade, é a OUSADIA.
Vi estudantes vencendo profissionais em concursos jurídicos.
Vi alunos escrevendo trabalhos que muitos de seus professores jamais pensaram em fazer.
E – acompanhando-os de longe – vi que carimbar votos, com protestos por melhor qualidade do ensino superior, em eleições para reitor e diretor é uma coisa que poucos teriam a ousadia no passado recente de nossa faculdade.

Por mais que muitos achem tais posturas desrespeitosas, o fato é que não se aprende a andar sem tomar alguns tombos, como minha pequena Marina está me ensinando atualmente, e não se muda uma mentalidade sem chocar aqueles que estão acostumados com o conforto da mediocridade.
Fazer isso será sempre um ato de ousadia, coragem e - porque não dizer? - de santa loucura.
Quantos loucos já não mudaram a história? Quantos loucos já não entraram para a história como visionários de uma realidade que poucos vislumbravam?
É certo que se paga um preço alto pela ousadia. Muitos loucos (ou ousados?) foram trancafiados, seja fisicamente, seja pelo isolamento opressivo imposto por aqueles que se sentem incomodados pelo novo. Mas quem tem a ousadia de olhar o horizonte, não tem o direito de desanimar diante da vizinhança da pasmaceira.
E por isso eu trago, como mais uma característica da nossa amizade, o RISO.
Sim, é isso mesmo, o riso, a gargalhada, o sorriso, o direito de estar de bem com a vida, de ser alegre e feliz.
É preciso combater, como vejo a nossa geração fazer, a postura “urubuliana” de alguns profissionais do Direito, de achar que a maturidade e a ousadia intelectual devem se confundir com a sisudez, como se a seriedade de um trabalho jurídico fosse diretamente proporcional ao tamanho da carranca de seu autor.
Certas autoridades, inclusive, parecem exigir, como requisito para sua legitimidade, ter uma nuvem negra sobre suas cabeças, fazendo com que suas manifestações soem sempre graves e solenes, como se fossem as trombetas do apocalipse ou os menestréis do fim do mundo. Tal mal contagia, lamentavelmente, todos os campos de nossa atuação, influenciando a própria sociedade, que parece exigir que, ao se optar pelo mundo do Direito, toma-se assento na escola dos deuses supremos, acima do bem e do mal, em que não se pode sequer imaginar que reles mortais vejam a cor de sua dentição.
Não aprendam, em qualquer lugar que seja, que um profissional deva ser carrancudo, mal-educado ou prepotente; que não cumprimente os mais fracos, nem que seja subserviente aos poderosos. Trata-se da mais estúpida violência que se perpetra contra a espontaneidade do ser humano, enquanto operário do Direito.
Lembro, inclusive, que certa vez, uma colega declarou que não gostava de um certo profissional porque este "vivia com um sorriso bobo na cara". Se isso é um defeito, eu gostaria de ser eternamente um pecador.
E é rindo que justifico todas as nossas loucuras em sala de aula: nossos cascudos nos meninos e despentear de cabelos nas meninas; nossas aulas aristotélicas e peripatéticas; nossa imensa vontade de acertar, mesmo quando visivelmente nos equivocamos.
Quando os chamo de “enrolados”, “fujões” e “ingratos”; quando faço um terrível drama, dizendo que estou “abandonado”, “jogado às traças” e “esquecido no ostracismo do tempo”, nada mais estou fazendo do que, pelo riso (ou pelo ridículo), mostrando todo meu carinho, amizade e amor por vocês.
E esta aula da saudade se encerra justamente com a constatação do que realmente vale a pena na vida: o AMOR.
Na célebre de carta de Paulo ao coríntios, relembrada na poesia do bardo da nossa geração Renato Russo, "ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria”.
Amar sempre valerá a pena! Mesmo quando a gente se machuca, por ter se entregado de alma aberta, sempre valerá lutar pelo amor.
Quando eu acordo cedinho e vou ao quarto de minha filha, vendo-a dormindo, renova-se em mim a chama do amor.
Vi o parto de minha mulher do começo ao fim, fotografando tudo com minúcias de pesquisador, sem perder o controle. Todavia, quando recebi em meus braços a minha pequenina flor, chorei, chorei um choro de criança pequena, que se vê viva e descobre que viver é bom.
E é com um amor parecido com esse, que só entende quem já viveu tal experiência, é que hoje olho para vocês, grandes, crescidos e formados, prontos para novas aventuras e desafios.
Nesse novo mundo que se avizinha, vejo, de amigo, como amigo e para amigos, renovar-se a fé na vida, pois enquanto houver amizade, enquanto houver, adaptando os mandamentos de Thiago de Mello, um único homem que confie no outro homem, como o menino confia no outro menino, enquanto o amor for o início e o sentido da amizade, a humanidade não terá perdido o seu único direito irrenunciável: o de ter esperança.


A mizade
M aturidade
O usadia
R iso

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Vidas Paralelas


Vidas Paralelas

Rodolfo Pamplona Filho


É possível incorporar
duas pessoas
ao mesmo tempo?
Viver duas rotinas
completamente
independentes?
Ser alguém de um jeito,
mas também outro sujeito
amarrados em um nó perfeito?

Ter uma vida dupla
sem qualquer culpa
ou sinal de luta,
pois se é feliz também,
sem prejudicar ninguém
ou causar mal a quem
está em cada lado da moeda,
sem nem imaginar a queda
de uma história outrora certa.

Tudo se resume, enfim,
em visualizar de forma diversa
aquilo que outros acham o fim,
mas, para você, é outra conversa:
uma realidade alternativa,
sem desculpa amarela
ou necessidade de justificativa
por uma vida paralela.


Salvador, 15 de maio de 2011.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Império do Silêncio


O Império do Silêncio
Rodolfo Pamplona Filho


Essa noite, em especial,
em mim o silêncio impera...
como um túmulo ancestral, 
no qual a erva já se apodera.
Meu ar sucumbiu
como em um vento frio
e profundamente congelante,
que, em nenhum instante,
permite que meu coração clame inteiro
por esse amor verdadeiro,
que me joga nesse imenso desespero
de pensar em não mais tê-lo...
Preciso ficar muda
até que esta dor profunda
se dissipe com o vento
e não me traga mais tanto tormento...
Tamanho sofrimento e pesar
me lembra um único olhar
vivido tantos anos há,
que nunca pensei em novamente passar
E nesse choro abafado, sem dó,
o travesseiro será meu companheiro,
o único que nunca me deixou só
nem no pior pesadelo.
....meu olhar está triste,
calado em uma eternidade
que não sei se existe,
mas que quero ver realidade.


Salvador, 6 de Maio de 2011, e Praia do Forte, 15 de Maio de 2011.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Destino não tem rédeas


O Destino não tem rédeas

Rodolfo Pamplona Filho

Uma oportunidade desperdiçada
Uma bala perdida
Um acidente de trânsito
Uma palavra proferida

Um olhar atravessado
Uma doença na família
Uma carta inesperada
Uma flecha desferida

A morte de um conhecido
Um lance de azar
Um flerte inesperado
Uma viagem no mar

Sabe-se o que motiva o ocorrido,
mas não o que o deixou assim...
Sabe-se o que dispara o gatilho,
mas não quando se tem fim...
O destino continua pregando peças
em quem não sabe lidar com ele,
como um cavalo selvagem,
sem freios, rédeas ou conselhos...
como um olhar perdido no horizonte,
sem noção do que é distante...
como uma guinada de 180 graus, rente,
sem medo do que vir agora pela frente!


Praia do Forte, 05 de fevereiro de 2011.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Quebra de Confiança


Quebra de Confiança
Rodolfo Pamplona Filho

Eu quero te falar sobre confiança,
sobre a alma pura e o sorriso de criança,
algo que não se outorga por decreto,
o preto no branco, o caminho reto...

o que não vejo no discurso do político,
o que carece no olhar simplesmente crítico,
o que não existe no falso pregador,
o que falta a quem não arrisca por medo da dor...

A palavra inspira, mas o exemplo arrasta...
Fé não se compra em banco de praça...
A Promessa não é frase jogada ao vento,
é obra construída em processo lento...

Lealdade é ter coragem
de falar a verdade quando machuca.
Fidelidade é olhar a paisagem
com a certeza de ter parceiro na luta.

Desabafar sem receio de dizer
o que pode ser usado contra você...
Convicção, entrega, cumplicidade,
descanso sereno em qualquer idade.



Salvador, 11 de abril de 2010

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Soneto da Frustração Sexual


Soneto da Frustração Sexual

Rodolfo Pamplona Filho

Não tire o doce da mão da criança!
Se não quer, não dê esperança!
Não queira que eu aceite a frustração
de uma vida sem calor e tesão.

Poucas coisas são tão decepcionantes
quanto interromper o gozo
em uma iniciativa irritante
de frear o que parecia gostoso

Não tire o membro do lugar,
nem o coloque lá se não quer,
pois parar é pior que negar...

Não me peça para perdoar
tudo que você não fizer
daquilo que seria parte de amar.
Salvador, 30 de janeiro de 2011.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Amor Impossível


Amor Impossível

Rodolfo Pamplona Filho
O que é
um amor impossível?
É uma relação fora do padrão...
É uma melodia fora da canção...
É o silêncio no lugar do saxofone...
É o violino que toca sem nome...

O que é viver
um amor impossível?
É sucumbir à pressão social...
É aceitar as regras de castração...
É se submeter à felicidade alheia...
É nunca mais ouvir o canto da sereia...

Existe realmente um amor impossível?
Ou o impossível é deixar de amar?
Não existe impossível no amor!
Existe apenas... amar...
E, por isso, nunca deixarei de sonhar...

Salvador, 28 de abril de 2011.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Plano B


Plano B

Rodolfo Pamplona Filho
Por acaso, você tem
alguma alternativa,
se algo acontecer
ou tudo der errado?
Algo ou alguém
a que(m) recorrer,
caso nada saia
como planejado?

O que é um Plano B?
O que é ter reservas para você?
É uma arma secreta,
uma estrada, uma seta,
uima bússola, uma estrela,
uma injeção de adrenalina na veia,
um renovar de dança,
uma saída, uma esperança...

Vou confiar no tempo,
que move as asas do cata-vento,
que arranjei para mim
e coloquei no meu jardim,
pois, no caos de minha vida,
encontrarei sempre guarida
e o meu mais verdadeiro calor
no meu plano A: A de Amor
Salvador, 25 de abril de 2011.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Aprendiz da Vida


Aprendiz da Vida

Rodolfo Pamplona Filho
Não faz sentido
ter medo de tentar,
muito menos
receio de arriscar,
quando a cara à tapa dar
é apenas uma chance a enfrentar...

O que, para muitos é crise,
para mim, é oportunidade.
O que, para muitos é grandeza,
para mim, é necessidade.
O que, para muitos é erro,
para mim, é aprendizado!
O que, para muitos é sonho,
para mim, é projeto realizado!

Eu quero mais!
Eu quero aprender!
Eu quero conhecer tudo
que a vida me permitir!
Por isso, jamais abrirei mão
de ser aquele que nunca diz não
para tudo que importar em nova lida
e em ser eternamente aprendiz da vida!

Salvador, 26 de abril de 2011.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gatilho


Gatilho

Letra e Música: Rodolfo Pamplona Filho
Durante muito tempo, eu me escondi
e sublimei toda a energia do meu ser.
Procurei direcionar para boas coisas,
mas castrei meus sonhos sem perceber...

Foi aí que você surgiu...
Bagunçando toda a ordem que eu pensava ter,
me mostrando um mundo que só ouvia falar,
mas que você me permitiu entrar...


Você é...
meu gatilho, disparando tudo que tinha reprimido...
minha enzima, fazendo com que reaja...
minha musa, que me faz sentir vivo...
minha alma, que nunca mais se cala...

E eu pensava que era feliz,
organizando uma rotina como diretriz,
sem saber que havia muito mais que isso...
havia mais que a promessa do paraíso

Não sei por onde foi que você andou,
mas descobri uma nova esperança
neste repensar do amor,
neste belo exemplar de mudança...

Você é...
meu gatilho, disparando tudo que tinha reprimido...
minha enzima, fazendo com que reaja...
minha musa, que me faz sentir vivo...
minha alma, que nunca mais se cala...

Salvador, 15 de janeiro de 2011.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Comodidade e Necessidade


Comodidade e Necessidade

Rodolfo Pamplona Filho
O que se quer da vida?
O que movimenta a existência?
O que faz levantar todo dia
e lutar pela sobrevivência?

Comodidade ou Necessidade

O que faz alguém tomar decisões?
O que alimenta ou fulmina paixões?
O que impede que se reaja
com uma bala a quem nos maltrata?

Comodidade ou Necessidade

O que reprime nossos impulsos?
O que castra nossos desejos?
O que tacha de impuros
nossos medos e devaneios?

Comodidade ou Necessidade

Comodidade ou Necessidade
são o combustível infalível
em qualquer etapa ou idade,
contra o qual não há impossível,
pois se abre mão da bondade,
mas não do factível.
Salvador, 12 de janeiro de 2011.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Arrogância da Inexperiência


A Arrogância da Inexperiência

Rodolfo Pamplona Filho

Nunca diga que,
 desse prato, não comerei,
 pois você pode não ter vivido
o suficiente para saber
os motivos que levam alguém
a fazer algo que
nunca se esperava dele...

Não julgue o comportamento alheio,
com os parâmetros inflexíveis
de uma conduta idealizada,
pois a barema utilizada
pode lhe ser exigida,
não somente como medida
de justiça e coerência,
mas também como o preço
que se exige como resposta
de toda aquela consciência
que exigiu demais dos outros (e de sí)....

Aprenda a engolir o orgulho
de não ter feito nada na vida,
bem como a prepotência
do sentimento de auto-suficiência
que a juventude, aliada à inexperiência,
parece impor a uma nova geração,
que não tem problema de falta,
mas, sim, de excesso de informação
e, para quem, é mais fácil,
dizer que o outro é sem noção.

Tenha a hombridade de, um dia,
reconhecer a terrível arrogância
que a inexperiência pode gerar,
não como natural mecanismo
de defesa perante o desconhecido,
mas como uma injustificável rebeldia
contra todos que, um dia,
puderam lhe dar guarida
ou estender uma mão amiga.

Faça antes de reclamar...
Viva antes de criticar...
Cresça antes de aparecer...
E descubra que o mundo
é muito maior do que seu ser...
Salvador, 07 de janeiro de 2011.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Abrigo Amigo


Abrigo Amigo

Rodolfo Pamplona Filho


A palavra que rima
ou melhor combina
com o sentido de amigo
é, sem dúvida, abrigo,
pois é com o confidente,
que se é mais gente,
buscando conforto no calor
e confiança no temor...

Se alguém procura descanso
ou águas mansas de um remanso,
é no seu parceiro
que terá fiel companheiro
para poder repensar
o caminho ainda a andar
ou a decisão a tomar
de um desafio a enfrentar...  

Amigo é a palavra
que melhor rima
(e combina) com abrigo.
Isso eu acredito,
tenho dito e repito
pois, se o sorriso é bonito,
o amor fraternal é infinito. 


Salvador, 13 de abril de 2011.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

BELVA


BELVA

Rodolfo Pamplona Filho
Bela
Elegante
Loura
Viva
Amiga

Bem-vinda!
Esteja
Livre para
Ver
A alegria!

Beba
Em homenagem à
Linda
Vida que te
Abraçou!

Brilhe
E
Leve
Valor
A quem merecer seu amor

Salvador, 26 de fevereiro de 2012.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Promessas do Coração


Promessas do Coração

Rodolfo Pamplona Filho

Vamos encher a cara
e aproveitar a chance rara
de respirar novos ares
e conhecer um milhão de lugares?
Não se prenda... Deixe-se levar...
Você é o que sempre quis!
A vida é curta para desperdiçar:
sinta a brisa e seja feliz!
Alguns pequenos deslizes
devem ser comemorados!
Buscar novos matizes
não faz parte do passado!
Não leve a vida com pressa!
Vamos fazer um promessa?
Vamos casar
por mais de 40 anos,
mesmo sem nos tocar,
mesmo que não nos vejamos...
Ah, amor.... Ah, meu viver
se você pudesse ouvir
tudo o que deixei de te dizer
e o que nunca deixei de sentir...
que a minha grande sorte
é ter você dentro de mim,
pleno e eterno, até a morte,
até o que chamam de fim.
E, mesmo com o passar do tempo,
vocé verá como nosso amor 

continuará jovem e atento
na forma, aparência e calor
Penso que, no final,
as coisas acabam
sem peso, bem ou mal,
pois não travam,
nem há diferenças
no acerto ou erro
de suas próprias crenças,
das quais não se deve ter medo.
O erro não existe
na realidade,
pois o que, hoje, persiste
é só uma verdade
autêntica e imutável:
ao seu lado, eu vou morrer,
físico ou imaginável,
em um belo entardecer.

Salvador, 31 de julho de 2011.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vendo o Navio partir...




Vendo o Navio partir...
Rodolfo Pamplona Filho

Ontem, olhei para o mar
e vi um navio zarpar,
seguindo rápido pela costa
até adentrar em nova aposta
de um outro horizonte que se avizinha,
cessando o frio que sinto na espinha...

Ontem, tentei sorrir,
ao ver aquele navio partir
em um rumo que desconheço,
buscando novo alvo para o apreço,
superando os passos dados no porto
e sabendo que o passado está morto.

Ontem, acabei por chorar,
quando percebi que não estava mais lá,
o meio que me permitia sonhar
com um futuro de novo gozar,
em que se sabe apenas o que se viveu
e se anseia pelo que se prometeu! 



Salvador, 06 de abril de 2011

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Oração de Paraninfia


Oração de Paraninfia

Rodolfo Pamplona Filho

Excelentíssimo Diretor da Faculdade,
meu amigo Celso Castro, por nobreza,
em nome de quem saúdo, de verdade,
todos os membros desta ilustre mesa.

Não poderia deixar de saudar, porém,
o ilustre Prof. Fernando Santana,
Coordenador firme e de quem
sou eterno aluno e seguidor, com gana.

A maior glória acadêmica, em curso,
é formal e solenemente celebrada
com o proferir de um longo discurso,
em forma de aula magna preparada.

Isto é uma enorme honra que traz
alegria para qualquer professor,
mas, para mim, é muito mais:
verdadeira prova de amor.

Em um corpo docente estrelado,
culto e extremamente qualificado,
escolher alguém que nunca foi lembrado
soa como um ato muito ousado

ou talvez de doce loucura
em uma verdadeira travessura:
escolher alguém fora do padrão
para proferir esta oração.

E, por isto mesmo, eu não poderia
redigir algo diferente de uma poesia,
para agradecer, com toda emoção,
tudo que passa no meu coração.

Somente uma turma muito especial
poderia fazer este carinho sensacional
em quem sinceramente vem confessar
que aprendeu honestamente a os amar

Vocês não têm idéia de como é raro
um professor de trabalho ser paraninfo!
E o melhor exemplo foi meu amado
pai intelectual Rodrigues Pinto!

Que também, em uma única vez,
foi lembrado para esta honraria,
por turma alternativa da mesma tez,
que colou grau nesta reitoria.

E vocês não limitaram a brincadeira,
pois o patrono também é um laboral:
o Professor Jonhson Meira,
outro exemplo de vida fenomenal!

E o professor destinatário de preito
é Wilson, patrono da minha formatura,
a quem rendo sempre meu respeito,
com carinho, admiração e candura!

O nome da turma é Eugênio Lyra,
uma homenagem super adequada,
que, das glórias do passado, retira
a justiça necessária e apropriada.

Seu Chico é o funcionário homenageado,
uma verdadeira figurinha carimbada,
tantas vezes aqui lembrado,
que sua vaga será sempre reservada.

Geninho é, da turma, o amigo acolhedor!
Mais que isso: é o ombro para chorar,
confidente de amores, fiel torcedor
das vitórias e provas a enfrentar.

Cada formando tem de ser citado
para que este poema faça sentido,
como um presente coletivo outorgado
por quem se sentiu realmente querido.

Começo com Dafne, filha de devoção,
"Lady Kate" de Condeúba, aqui presente,
a quem dedico uma especial emoção
da amizade feita de forma consciente.

Outro amor paternal construído
foi com a querida Paloma Solla,
cujo acompanhamento foi ao infinito
em contatos inesperados fora de hora...

Com o Sr. Florisvaldo Alves de Almeida,
por todos conhecido por Seu Flor,
vi um exemplo de vida alvissareira,
superação, orgulho da família e amor.

Marília Portela Barbosa,
minha aluna em tantas matérias,
será minha colega trabalhista operosa
e companheira de lutas etéreas!

Mayana Ferreira Barbosa
é por todos conhecida como May
e tem do trote uma lembrança gostosa;
uma blusa pintada cuja tinta não sai...

Lázaro não foi para o café dos amigos,
mas preencheu, por e-mail, o formulário,
e lembrou da sua primeira audiência comigo,
e, agora, é meu afilhado honorário!

Paulo Sérgio Souza Andrade,
quase levou um nocaute meu,
mas é querido e presente na almofada da saudade,
que, como paraninfo, a turma me deu.

Camila Sombra, mestranda ilustre,
já é um orgulho para todos nós,
desenvolverá altos estudos na USP
e, em direitos humanos, será nossa voz!

Rebeca é talentosa e dedicada aluna,
com cursos em intercâmbio na Europa,
mas não me concedeu ainda a fortuna
de tê-la como membro de minha tropa.

Juliana sonha em intervir
na sociedade para transformação,
com o reconhecimento, que há de vir,
do Direito Animal, em consolidação.

Com Karine Mendonça, nossa oradora.
compartilhei momento de delicadeza,
ao ir junto com meus filhos
na criação do Jardim Gentileza.

Fausto é, do SAJU, figura dedicada
além, da faculdade, o cara mais popular,
super engajado e de mente afiada,
interpretou Gomez Addams, sem pestanejar.

Lucas Moreira Ramos, na moral,
é consciente da realidade social,
mas seu prazer é ver - quem diria? –
o futebol do Prática Etílica e do Bahia

José Ramiro, o rubro-negro Ramirão,
meu aluno em sala, corredor ou sol,
embora seu momento de maior emoção
tenha sido o título do torneio de futebol!

Conheci Juliano em uma exposição,
que fiz no pátio da cantina,
sobre a importância da reflexão
e da pesquisa como uma sina.

Por motivos alheios à nossa vontade,
não podemos contar com Luis Cláudio,
mas sua presença, na realidade,
está em nosso orgulho e gáudio.

Membro honorário da turma
é meu orientando Edney Tony Star(k),
que, mais do que minha imitação diurna,
fez uma monografia de arrasar!

Toda esta galera maravilhosa
somente seria encontrada em um lugar!
Na nossa gloriosa e formosa
Faculdade de Direito da UFBA,

que completa 120 anos de existência,
neste ano de 2011, no calendário,
vinte anos dos quais eu vivi,
já que ingressei, como aluno, no seu centenário.

Celeiro de talentos e juristas,
orgulho do estado e da nação,
onde nasceram verdadeiros artistas
e teses seminais de pura razão!

É hora, porém, de o discurso arrematar,
já que ele não pode ser muito longo:
tem de uma mensagem passar,
mas com um tamanho que não dê sono!

Mas a oração não estaria completa
sem uma sincera benção de despedida,
pois, neste momento de festa,
é meu dever deixar uma lição de vida.

Eu não preciso lembrar a toda a gente
do que eu nunca quero esquecer,
que serei seu padrinho eternamente
até mesmo depois de morrer!

Por isso, meus afilhados,
nesta mensagem final,
quero deixar registrado
meu compromisso formal

de acompanhá-los o resto do tempo
que o destino divino nos autorizar,
ajudando-os a correr com o vento
e crescer nas carreiras que adotar

Pois procurar o novo é
uma viagem que nunca termina...
Desnudar-se da cabeça ao pé
é algo que só a intimidade ensina.

Por isso, não tenham medo
de buscar sempre a felicidade,
pois é muito comum cansar cedo
de lutar em qualquer idade...

O conforto que todos desejam só
não pode virar simples comodidade,
como se sonhos virassem pó
ou se perdessem com a maioridade...

Se, como já falei em rima,
em toda e qualquer praça,
a boa palavra ensina,
mas é o exemplo que arrasta,

Vocês devem guardar em sua mente
tudo de bom que transmitimos,
pois construiremos nova gente
com as boas ações que sentimos!

Não sei por quanto tempo ainda viverei,
nem qual será o juízo da minha história,
só acho que as vidas que alcancei
tornaram feliz a minha trajetória.

Pois nada foi mais importante
do que fazer amigos por onde passei,
mesmo no ambiente mais sufocante,
alguma boa semente espalhei

de nunca anestesiar meu indignar,
nunca aceitar a miséria como normal,
nunca deixar de, nas pessoas, acreditar
e nunca desejar aos outros o mal!

Acredito a promessa ter cumprido
de fazer um discurso abrangente
que possa eventualmente ser aplaudido,
sem deixar de tocar o coração da gente.

Foram exatos duzentos e quatro versos
dedicados a estes formandos
e, agora, eu desejo (e me despeço)
sorte, saúde e paz nos vindouros anos.

Praia do Forte, 01 de janeiro de 2011.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Soneto do Dublê de Corpo


Soneto do Dublê de Corpo

Rodolfo Pamplona Filho

Deito e abraço um corpo
que, por certo, não é o seu,
mas que imagino ser
para não entristecer...

É o consolo por não ter
o alguém só meu,
para quem queria viver
e, junto, envelhecer...

E, assim, vou sobrevivendo,
desejando e querendo
preencher este vazio...

Cultivando a esperança
de que, na minha ultima dança,
eu não esteja tão sozinho...

Salvador, 04 de abril de 2011.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Soneto da Espera


Soneto da Espera

Rodolfo Pamplona Filho

Eu teria muito melhor alento,
se você aqui também estivesse,
descansando sua cabeça em meu peito,
reconstruindo a vida como desse.

Mas como isso ainda não é possível,
contento-me com um sonho lindo
de um futuro incerto no tempo previsível,
mas certo demais quanto ao destino

de vivermos para sempre um para o outro
de chorarmos juntos cada outono
de vivermos cada raio do verão

de nos aquecermos reciprocamente no inverno,
de colhermos flores na primavera
de envelhecermos juntos em tal espera.
Praia do Forte, 29 de dezembro de 2010.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Não se apaixone!


Não se apaixone!

Rodolfo Pamplona Filho

Aproveite a oportunidade,
que não surge em qualquer idade,
mas lembre-se: não se apaixone!

Entregue seu corpo como nunca
e tenha prazer em fartura,
mas lembre-se: não se apaixone!

Descarregue toda sua tensão
e coloque para fora todo seu tesão,
mas lembre-se: não se apaixone!

Como seguir a advertência
e não parecer desobediência:
como não apaixonar,
quando apaixonado já está?

Salvador, 25 de dezembro de 2010.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Soneto da Reconstrução


Soneto da Reconstrução

Rodolfo Pamplona Filho

Eu não sou perfeito,
nem você é tampouco,
mas podemos dar um jeito
de sermos um do outro.

O tempo me fez mudar,
alterando minha perspectiva
e acabei por hesitar
sobre o que queria da vida

Tudo valeu a pena?
Não tenho dúvidas que sim,
pois o destino me fez assim!

A margem de erro é pequena?
Definitivamente não,
mas não temo tentar a reconstrução.


Salvador, 28 de março de 2011.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Sedução do Transgressor


A Sedução do Transgressor

Rodolfo Pamplona Filho
O transgressor é sedutor
e encanta por onde passa:
o estelionatário perfeito
em qualquer canto ou praça.

A Sedução do Transgressor.
A Transgressão do Sedutor.
Parece um jogo de palavras
mas são dois lados da mesma moeda.

Desconfio de um sorriso
que acompanha um pedido.
Desconfio de um elogio
de quem não é meu amigo.

O transgressor seduz
e ninguém percebe nada,
pois somente coloca na luz
a versão dissimulada

daquilo que, de verdade,
é sua verdadeira intenção:
fazer somente sua vontade
sem qualquer satisfação.

Por isso, tenha cuidado!
Tratando-o como um irmão,
o inimigo pode estar ao seu lado:
compartilhando o seu pão
e bebendo do seu copo
e, quando menos esperar,
você será chutado...

Salvador, 06 de outubro de 2010.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Antropofagia e Epistemofilia


Antropofagia e Epistemofilia

Rodolfo Pamplona Filho
Eu quero comer
sua cabeça incrível
e sentir o prazer
de que é possível
cartas livres mandar
para o amigo invisível
e, ainda, em seu corpo, gozar...

Eu quero devorar
cada pedaço de seu cérebro
e experimentar
toda sensação incerta
que seu pensamento
em mim desperta
na sedução do movimento.

Eu quero me deliciar
com sua complexidade
e realmente aproveitar
todo desejo, querer e vontade
em uma epistemofilia
que uma mente vazia
jamais se encantaria.

Salvador, 07 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


Rodolfo Pamplona Filho

Acreditar no que não se vê
e ver o que ninguém mais presencia.
Chorar com uma idéia conhecida
e emocionar-se com uma já ouvida.
Ler sempre a mesma palavra
e ter nela uma mensagem nova.
Lutar pelo que pensa amar
e viver como não houvesse outra forma.
Comprometer-se com uma doutrina,
a ponto de testemunhar o que ensina.
Perdoar por disciplina e
clamar por uma nova sina.
Aceitar o que todos negam
e negar o que todos aceitam.
Caminhar a velha estrada a pé...
Isto, sim, é que é ter fé!


Salvador, 16 de março de 2011.