O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Saudade


Saudade

Rodolfo Pamplona Filho
Parece doença...
Parece tristeza...
Parece dor no peito...
Parece desespero...
Parece depressão,
mas é só saudade...

Gramado, 18 de outubro de 2012.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Escravas Sagradas de Korinthio


Rodolfo Pamplona Filho
No encontro entre o Egeu e o Jônico
e de dois portos importantes,
encontra-se a cidade
que não conhecia o amor

No culto à Afrodite,
entregam-se mais do que primícias,
pois é o próprio corpo o objeto
do contato, do negócio e do prazer,

proporcionando conforto e alento
a quem vem de muito longe
e não sente há muito mais

o contato com a pele aveludada
em que o sentimento é nada,
mas a entrega e satisfação totais.

Na estrada de Korinthio para Atenas, 29 de setembro de 2012.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Pontualidade


Pontualidade

Rodolfo Pamplona Filho
Achar natural
que outros esperem,
ainda que alguns segundos,
fazer algo que
só interessa a você
é o cúmulo da cara-de-pau
com a falta de noção...
E o pior de tudo
é quando se pede
que tenham consciência
para respeitar
o que só lhe interessa,
seja o embarque
(ou desembarque)
de alguém
ou mesmo
que algo ocorra
como se fosse
a mais importante
de todo o universo.
Como não se irritar
com as desculpas
ou justificativas
para seu atraso?
Ver rostos contritos,
olhos de gato de botas
ou um ar indignado
de quem foi vítima,
e não a causa
do irritante atraso
que prejudica todo mundo,
até mesmo a si...
E quem ousa reclamar,
deixando o silêncio conveniente,
para ser descrito
como um sujeito paranóico,
estressado ou simplesmente chato,
que fica inventando caso
ou querendo aparecer...
Pontualidade é respeito
ao tempo alheio!
E ponto!

Atenas, 29 de setembro de 2012.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Gerúndio


Gerúndio

Rodolfo Pamplona Filho
Eu não quero ser
um projeto acabado.
Eu estou a viver.
Eu estou vivendo.
Hoje e Sempre...

Atenas, 29 de setembro de 2012.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Mulher Ideal


Mulher Ideal

Rodolfo Pamplona Filho
O que é uma mulher ideal?
Definitivamente, não é
alguém que não envelhece,
mas, sim, alguém para quem
o tempo não afeta o humor...
Não é alguém sem defeitos,
mas que aprende a sublimá-los
ou que acostumamos com eles...
E, ainda que brigue de vez em quando,
faça as pazes de forma tão gostosa,
que apague qualquer ressentimento...
Não precisa concordar com tudo,
mas tenha uma sintonia tal,
que saiba seu pensamento
antes de verbalizá-lo...
Esta é a minha mulher ideal!

Atenas, 29 de setembro de 2012.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Diretiva da Vergonha


Diretiva da Vergonha
Rodolfo Pamplona Filho

Fui detido
- não acredito! –
Em um Campo de Concentração,
Digo, um Centro de Detenção

Fui detido
Sem crime cometer
Sem matar, nem roubar
Ou a ninguém prejudicar

Fui detido
Sem direito de defesa
Como se estar sem documento
Fosse um bilhete direto para o inferno

Fui detido
Pelo crime de ter esperança
De buscar um novo horizonte
Para mim e minha família

Fui detido
Pelo pecado de sonhar
Por uma nova vida enfrentar
Com disposição para trabalhar

Diretiva
Diretriz
Direção
Que eu não quis...

Retorno
Resolvo
Revolto
Expulsão...

Ilegais são atos, não pessoas.
Indignos são preconceitos escondidos
Em um revival de tempos idos
Em que se separava as pessoas pela origem

Fui detido
- é certo! –
Não pelo que fiz ou faria
Mas pelo crime de SER HUMANO

Ciudad Real, 28 de setembro de 2009

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Reconstruindo a História


Reconstruindo a História

Rodolfo Pamplona Filho
Desde a supressão
de um personagem
em Guerras Secretas
até a retirada de fotos
de um mural institucional,
passando pela defesa
da concepção imaculada
(e da permanência virginal,
mesmo após o parto
e com a continuidade
da vida conjugal...),
tudo pode ser visto
ou revisto,
sob a ótica,
a filosofia
e a ideologia
de quem conta
a história...
Assim, fica fácil
falar dos mistérios da fé
ou de eleições com
votos de sangue
ou 100% de aprovação...
E quando se percebe
a profunda manipulação,
surge a reforma,
a contra-reforma,
a marcha de protesto
ou a primavera árabe,
em que quem
não está acostumado
a ser sequer contestado
tem de ser confrontado
com sua situação
de ditador de plantão,
mesmo sem clara intenção
de se tornar seu próprio
objeto de adoração.

Madrid, 01 de outubro de 2012.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sagapo


Sagapo

Rodolfo Pamplona Filho
Kalimera,
agapi mou!
Giassou,
minha Athenea!
Deixe-me ser seu Colosso,
parakalo,
procurar suas curvas
e cavernas de Santorini...
Fugirei para Patmos,
pregarei em Éfeso
e sonharei em Mikonos.
Quero ser sua Acrópole,
matando o minotauro em Creta
seemera et avrio.
Seja a minha forma clássica:
dórica, jônica ou korinthia...
Sagapo, meu Parthenon!
Se me fascinam
as mulheres de Atenas,
da vida, eu quero
somente você apenas.

Atenas/Grécia, 29 de setembro de 2012.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Medicina


Medicina

Rodolfo Pamplona Filho
É no Santuário de Sculapio,
em que Hipócrates separou
o Logos da Cega Crença,
que se depositam as esperanças
de quem ainda crê em salvação,
não da alma perdida ou maltratada,
mas, sim, do corpo massacrado,
entregue às intempéries da saudade,
no sofrimento da enfermidade.
Não se sabe quem cura:
se Deus ou a mão do homem...
Isto pouco importa para quem busca
a retomada do vigor,
o reencontro do calor
e a superação do torpor
do sofrimento e da dor.

Atenas/Grécia, 29 de setembro de 2012, pensando no Templo de Sculapio.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Soneto da Dissonância Cognitiva


Soneto da Dissonância Cognitiva

Rodolfo Pamplona Filho
Contrastar uma crença básica
em oposição diametral à outra.
Viver uma vida antropofágica,
devorando o que está à solta.

Declarar-se algo
que se sabe que não se é...
pois tudo que conquistou
foi baseado em um temor

que deixou de existir,
passando a viver
somente para repetir

o que nem mais se crê,
em  uma forma de auto-punir,
ao impor a si mesmo um sofrer...

Mikonos, 24 de setembro de 2012.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Soneto sobre a Razão das Olimpíadas


Soneto sobre a Razão das Olimpíadas

Rodolfo Pamplona Filho
No originário Culto a Zeus,
celebram a paz, deístas e ateus,
já que, para livremente lutar,
é preciso tranquilamente descansar

Assim, pode-se concentrar
somente  no que interessa,
não tendo stress ou pressa
do objeto efetivo realizar

As olimpíadas são muito mais
do que uma reunião de atletas reais:
são a oportunidade de visualizar

que se o homem tentar
pode conseguir conviver
e não precisa mais se esconder

Miceas/Grécia, 29 de setembro de 2012.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Necessidade de Reclamar


Necessidade de Reclamar

Rodolfo Pamplona Filho
Há indivíduos que
mal comem feijão com arroz
e querem questionar
a qualidade do champagne...
Pessoas que não sabem distinguir
um idioma de um dialeto,
um prato de um lanche
ou uma casa de um lar
e querem posar para a sociedade
como sacerdotes do culto,
vestais do templo
ou oráculos da verdade...
Pobres diabos,
eles não sabem
o que fazem, pois
sua vontade de viver
se confunde com
sua necessidade de reclamar...

Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Soneto da Sintonia Infalível


Soneto da Sintonia Infalível

Rodolfo Pamplona Filho
Ainda que divididos pelo Atlântico
e por fusos horários incompatíveis,
o que um sente de um lado,
o outro automaticamente responde.

Se um levanta assustado,
encontrará o outro conectado,
como se a energia gerada
fosse automaticamente repassada.

É realmente impressionante,
como tudo surge em um instante,
permitindo a imediata compreensão

pois o que, para muitos, é acaso,
para mim, é o mais evidente traço
de uma sintonia infalível de paixão.

Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Todo mundo é vítima


Todo mundo é vítima

Rodolfo Pamplona Filho
Todo mundo é vítima
e ninguém assume a culpa
Todo mundo é vítima
e se pode fugir da luta
Todo mundo é vítima
e se empurra a responsabilidade
Todo mundo é vítima
e não se muda nada de verdade
Todo mundo é vítima

e há argumento para tudo
Todo mundo é vítima
e punir é um absurdo
Todo mundo é vítima

No Trem de Madrid para Pamplona, 02 de outubro de 2012.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Palavra


A Palavra

Rodolfo Pamplona Filho
A palavra encanta
e provoca a reflexão
Se a imagem diz muito,
a palavra diz tudo,
para sábios e incultos,
na medida do seu alcance...

Madrid, 01 de outubro de 2012.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sabedoria em Efésios 5, 15-21


Sabedoria em Efésios 5, 15-21

Rodolfo Pamplona Filho
Sabedoria é mais do que
algo de tudo conhecer...
é saber lidar com o tempo,
a vontade e os desejos...
pois não saber dominar o tempo
é se tornar escravo dele...
pois não admnistrar a vontade
é ser dominado por ela...
pois não depurar seus desejos
é se entregar a eles...

O controle do tempo não significa
conseguir fazer tudo na vida,
mas, sim, saber o que se prioriza
e o que nem entra na lista...
A vontade não pode se resumir
ao que dá certo,
mas sim a intenção
que se leva no coração...
Saber qual é o seu desejo
não é negar a própria satisfação,
mas ter plena e efetiva consciência
do que é vital para a sobrevivência.

Salvador, 21 de outubro de 2012, refletindo sobre a palavra do Pastor Afa Neto...

domingo, 15 de dezembro de 2013

Discurso de Rodolfo Pamplona Filho na Cerimônia de Recebimento da Comenda "Fátima Stern do Mérito Judiciário" da AMATRA5



Discurso de Rodolfo Pamplona Filho
na Cerimônia de Recebimento da
Comenda "Fátima Stern do Mérito Judiciário" da AMATRA5
(26/10/2012)

Excelentíssima Senhora Dra. Juíza Ana Cláudia Scavuzzi Magno Baptista, MD Presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho da 5ª Região
Senhores magistrados, procuradores, advogados e estudantes de Direito.
Meus amados parentes, alunos e amigos
Senhoras e senhores

                        Hoje é um dia muito importante e emocionante na minha vida!
                        Receber uma condecoração, outorgada pelos próprios pares, é o maior título que alguém pode angariar em sua vida profissional.
                        De fato, homenagens recebidas pelo conjunto da obra produzida ou pela carreira cumprida é algo mais esperado daqueles que, tendo a salutar distância da observação isenta, avaliam e avalizam apenas o fato ou o resultado, motivo pelo qual é tão comum que sodalícios rendam preitos a quem não é da casa.
                        Todavia, ser lembrado, por seus iguais, faz estremecer a convicção de que “ninguém é profeta em sua própria terra” e que o convívio diuturno, no partilhar do sal e do suor, possa desconstruir imagens e impressões...
                        E esta homenagem, neste ano, tem ainda um sabor especial...
                        A Medalha do Mérito Judiciário da Amatra 5 vem sendo outorgada, anualmente, desde 1996, a magistrados da 5ª Região e a personalidades que tenham se destacado nas matérias de interesse institucional da Justiça do Trabalho e/ou do Poder Judiciário como um todo.
                        No final do ano passado, porém, por deliberação da Assembléia da AMATRA5, esta distinção passou a se denominar “Comenda Fátima Stern do Mérito Judiciário", rendendo uma homenagem de justiça e saudade a uma digna magistrada que honrou – e muito – esta casa e o movimento associativista trabalhista local e nacional.
                        Para mim, ser um dos primeiros a receber a Comenda com seu novo nome é um privilégio, que multiplica a emoção, por circunstâncias absolutamente pessoais.
                        Fátima Stern foi a primeira juíza com quem eu trabalhei diretamente no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região: eu era auxiliar judiciário, lotado no Serviço de Pessoal, quando fui convocado pela Administração para ajudar, como calculista ad hoc, a juíza que acabava de assumir a titularidade da Junta de Conciliação e Julgamento de Jacobina.
                        Eu, ainda estudante de Direito, com 20 anos, não sabia nem como conversar com um juiz, e fui apresentado àquela jovem senhora elegante, educada e sempre preocupada em prestar o melhor serviço ao cidadão, que me mostrou um modelo de conduta que me impressionou e que jamais esquecerei...
                        Por isso, inicio este pronunciamento com o registro público de minha admiração à exemplar juíza que dá nome a esta Comenda, o que não pode ser desprezado por quem quer venha a ser distinguido com ela, daqui em diante.
                        Pensei em várias formas de fazer este rápido discurso.
                        Receber uma honraria com uma votação expressiva, sendo o mais votado em uma eleição em que foram indicados diversos valorosos colegas, com reconhecidos méritos para também merecer encômios, é uma consagração que envaideceria qualquer cidadão.
                        E confesso, sem qualquer falsa modéstia ou tentativa rasteira de disfarçada auto-louvação, que, para mim, este reconhecimento é algo que embarga a voz, obnubila a visão e faz a razão ser tomada pela emoção...
                        Nas primeiras vezes em que, pela gentileza, camaradagem e amizade, meu nome foi lembrado para este galardão, não hesitei em fazer campanha contra mim mesmo, pedindo discretamente que retirassem meu nome, já que era comumente indicado junto com colegas bem mais antigos e que já haviam dedicado décadas à nossa instituição.
                        Revelar isso é a forma que tenho de registrar publicamente o meu agradecimento a colegas como Marco Antônio Nascimento (que foi o primeiro a lançar o meu nome no já longíqüo ano de 1999), Agenor Calazans e Paulo Temporal (em 2004), que, em momentos distintos de suas vidas, me fizeram esta homenagem e, estupefactos, viram-me pedir para sair de cena...
                        Mas a insistência de Luciano Martinez em me ver galardoado com esta honraria foi tanta que acabei cessando minha original resistência e admitindo que poderia ser, dentre tantos outros mais merecedores, talvez eventualmente lembrado...
                        E que insistência!
                        Não tenho pudores de declarar que Luciano Martinez é um dos meus melhores amigos e é muito difícil negar algo a quem temos como irmão.
                        Brinquei com ele dizendo que, possivelmente, talvez eu pudesse ganhar pelo cansaço, já que como, por uma questão obviamente ética, eu me recusava a fazer campanha, mas ele contínua e incansavelmente lançava meu nome, no que fui vendo, a cada oportunidade, novos colegas (menciono, dentre tantos, a título meramente exemplificativo, José Cairo Júnior, Raymundo Pinto, Guilherme Ludwig, Murilo Sampaio, Luiza Passo, Andréa Presas e Silvia Isabelle) com ele entoaram coro, até que, neste ano, ganhei este presente maravilhoso...
                        76 votos!
                        Uma participação expressiva de colegas, como a realizar um sonho que pensei que jamais se materializaria...
                        A eles e a todos, agradeço imensamente a honra de ter contado com sua indicação, nesta e em todos os outros momentos de nossa vida comum.
                        Estaria eu mentindo se, por isso, dissesse que não sonhei com este momento por diversas vezes.
                        Em quantas oportunidades, eu já não me imaginei neste momento, compartilhando com os colegas cada experiência, em pronunciamentos imaginários que nunca vieram e nunca virão a lume?
                        Quantas idéias eu já não tive para fazer uma exposição que pudesse tocar tanto razão, quanto coração?
                        Quanta vontade eu já não tive de ser contundente ou caústico, amargo ou enfático, otimista ou pesaroso, entusiasmado ou deprimente?
                        Quantos desejos e pretensões a se fazer, em tão pouco tempo...
                        Mas não farei nada disso...
                        Hoje, com a maturidade que os anos e a experiência possibilitam, o que quero é apenas dar a cada um o que é seu, no recordar do decorrer de uma trajetória que se alonga nesta justiça...
                        Hoje, 26 de outubro de 2012, completo 20 anos, seis meses e 20 dias da data da minha posse como servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região.
                        Mais da metade da minha vida foi aqui vivida, boa parte já como magistrado.
                        Ao TRT, devo quase tudo que sou e me tornei.
                        Aqui, tive alegrias e tristezas, sucessos e decepções, risos e lágrimas...
                        Foi depois de aqui ingressar que me formei, conheci minha esposa, casei, descobri a paternidade, produzi, escrevi, plantei, compus, vivi...
                        E, nesta retrospectiva superior a quatro lustros, o sentimento mais adequado é o de gratidão.
                        “Gratidão não se exige,
                        não se pede, nem se espera...
                        É presente de um coração puro,
                        que não vê outra forma de agir,
                        na memória da marca do passado
                        e do alívio do auxílio no desespero...”
                        (...)
                        “Reconhecer-se grato é o exercício da verdadeira humildade,
                        que é saber que, sozinho, não se consegue nada,
                        pois conquistas isoladas são vitórias de Pirro,
                        em que obter o resultado não significa necessariamente desfrutá-lo...”

                        Gratidão é a resposta sincera
                        que o afeto exige por coerência!
                        É a marca que renova a esperança,
                        que não é a última que morre, posto imortal,
                        mas, sim, a certeza de que
                        ainda se pode ter fé na humanidade”

                        Agradecer
                        Agradecer sempre...
                        Agradecer a aqueles que, como Fátima Stern, não estão mais fisicamente entre nós, mas que estarão sempre em nossas vidas, por viverem em um comodado perpétuo em nossos corações...
                        Lembro o saudoso colega José Joaquim de Almeida Netto, que era o Presidente do TRT quando aqui ingressei como servidor e que, no seu jeito muitas vezes irreverente, colocou-me para dar aula a seus alunos do curso de administração da UNIFACS, antes mesmo de eu me formar...
                        Agradeço ao insuperável Mestre Calmon de Passos, a quem fui aluno e, depois, assistente no Curso de Pós-Graduação em Processo por quatro anos consecutivos. Com Calmon, aprendi a debater, a argumentar, a muitas vezes ir na jugular ou no estômago do adversário, na busca de testar uma tese até o seu limite...
                        Agradeço ao homem mais gentil que conheci em minha vida, Antonio Carlos Araújo de Oliveira, alguém que era muito mais do mais do que um notável jurista: era o terno e eterno professor; era o colega “pau para toda obra”, que nunca recusava uma missão e sempre as cumpria com galhardia e precisão; era o amigo pai e o amigo irmão, que todos elegiam pelo coração... Chamava-o de uma “barema de personalidade”, um instrumento de medição de caráter, pois se houve alguém nesta vida que lhe possa não ter tido admiração realmente boa referência não o era...

                        Passar tantos anos no mesmo ramo do Poder Judiciário fez com que boa parte da minha vida pessoal se confunda com o convívio com pessoas maravilhosas que muito me ensinaram e continuam ensinando...
                        Se mencionar um a um faria com que este discurso se alongasse por toda a tarde, prefiro ser condenado por uma lamentável omissão parcial do que pelo total silêncio...
                        Agradeço a honra de ter trabalhado como servidor dos já mencionados magistrados Fátima Stern e Joaquim Almeida, mas, diretamente e por muito mais tempo, com magistrados que continuam na ativa e fazem parte da minha história, como Luiz Tadeu Leite Vieira e Elisa Amado e, ainda quando eram substitutos, como assistente na 14ª Junta de Conciliação e Julgamento, dos hoje colegas Silvana Resende e Paulo Jucá.
                        Agradeço a honra de ter trabalhado como Auxiliar do magistrado Cláudio Mascarenhas Brandão, que foi meu primeiro professor de Direito do Trabalho (ainda em um curso preparatório para o concurso de servidor) e que me prestigiou com sua amizade, fazendo com que nossas vidas se cruzem de tempos em tempos, seja em debates, congressos, bancas ou aulas. A ele, desejo toda a sorte do mundo, nesta nova luta em que está empenhado e que conta comigo, para o que der e vier, incondicionalmente.
                        Na magistratura, porém, quero, enfaticamente, fazer um Reconhecimento Público de Gratidão a três notáveis juízes: Roberto Pessoa, Dolores Vieira e Waldomiro Pereira. Em momentos de tristeza pessoal, foram eles faróis que me fizeram continuadamente acreditar na missão que assumi profissionalmente e a quem jamais cansarei de render agradecimentos e a dedicar os resultados de meu esforço.
                        O sábio Dr. Waldomiro Pereira, inclusive, em um prefácio, escreveu algo que tomei e tomo com norte em minha vida:
                        “Conta-se, na India, que, certa vez, um famoso santo e matemático, Rama Tirth, foi ao quadro negro e, nele, riscou uma linha. Em seguida, convidou seus alunos a que tornassem aquela linha mais curta.
                        Os discípulos foram, então, ao quadro e pretenderam apagar parte de uma extremidade da linha; outros tentaram diminuir a outra extremidade.
                        Rama Tirth, contudo, advertiu:
                        - Não toquem nele. Não odeiem a linha. Sem tocá-la e sem qualquer sentimento de inimizade, procurem encurtá-la.
                        Os alunos, diante das advertências de Rama Tirth, ficaram perplexos Não sabiam como resolver o problema. Aquietaram-se.
                        Rama Tirth retornou, então, ao quadro e, ao lado da linha que havia traçado, fez outra maior. E arrematou:
                        - Há tanto espaço para crescer que, para ir-se mais alto, não é necessário rebaixar ninguém.”
                        E é esta a postura que assumi para minha vida...
                        Por isso, registro também a honra de ter tido como auxiliares, juízes de grande categoria: pela ordem cronológica, Janaina Scofield. José Cairo Jr., Nélia Santos de Oliveira Hudson e Cláudia Uzêda Doval, além de amados colegas auxiliares ad hoc ou provisórios: Maurício Lopez Freitas e Andréa Mariani Ludwig. A todos, agradeço pelo apoio de todas as horas e pelo prazer que foi e é conviver com vocês, magistrados, como nunca canso de lhes dizer, muito melhores do que eu, apenas um aprendiz da arte de viver...
                        A todos os servidores, com quem convivi, seja como substituto, seja como titular, muitos deles aqui presentes, eu agradeço a honra do seu companheirismo e dedicação. Destaco, em especial, os atuais servidores da gloriosa 1ª Vara do Trabalho de Salvador (“a Primeiríssima”): Edilberto, Mari, Aline, Léo, Belinha, Edu, Lôbo, Chicão, Júlia, Cris, Iran, Lívia e Nathália, bem como os estagiários, de ontem e de hoje, e os servidores que não estão mais na ativa (como esquecer de Ana Lúcia, entre outros?)
                        Ainda sobre os servidores, a coerência do meu coração exige que, publicamente, eu faça um agradecimento á servidora Maria Judith Ribeiro, como um reconhecimento público de como foi importante encontrar um sentimento de inconformidade diante da Injustiça, algo que somente Deus e eu sabemos como foi enfrentar...
                        Tantas outras pessoas que eu gostaria de destacar...
                        Mas o tempo, senhor de toda a razão e incansável carrasco da emoção, exige que se encaminhe para o final...
                        E este final, para ser coerente com minha própria vida, precisa ser sentido como uma poesia...
                        E todo poeta precisa de uma musa para se inspirar...
                        A musa natural é a minha esposa, Emilia, com quem construí uma história comum de afeto e parceria, com os dois filhos mais lindos do universo (Marina e Rodolfinho)...
                        Mas também poderia ser a minha família, como um todo!
                        Meu pai, que já não está entre nós há mais de 10 anos...
                        Minha mãe, que há tempos permanece em uma cama, sob cuidados médicos...
                        Meus irmãos (Luiz Augusto e Ricardo), que vivem em outros cantos do mundo, mas cuja troca de afeto é tão constante que parecem viver do meu lado...
                        Minha família do coração, formada por meus colegas que chamo de irmãos e alunos que chamo de filhos...
                        Mas, para este discurso, talvez a musa deva ser outra...
                        Este é uma manifestação de agradecimento por uma vida na Tribunal Regional do Trabalho, que me deu tudo...
                        E a musa efetiva, portanto, neste caso, deve ser a Deusa da Justiça...
                        Exercer a magistratura é um sonho...
                        Vocação despertada e acalentada desde cedo...
                        E que, a cada dia, faz, em mim, renovar o desejo de servir e de entregar a prestação jurisdicional, não como um dever funcional, mas, sim, como um cumprimento de um sacerdócio...
                        O tempo não me fez perder as esperanças, os sonhos e as expectativas que tive quando decidi ser juiz...
                        Não anestesiei a minha capacidade de me indignar...
                        Nunca desprezei as promessas que fiz ao tomar posse, nem os princípios que, um dia, jurei observar...
                        O tempo faz, sim, com que o pescoço endureça, o ímpeto arrefeça, a voluntariedade muitas vezes enfraqueça...
                        Mas isto não me fez sucumbir às tentações da ironia destrutiva, da acusação leviana, do julgamento sem contraditório, da necessidade de destruição...
                        E isso tudo por fazer parte de um meio, cuja história, por si só, orgulharia qualquer pessoa de Bem.
                        Sinto-me sinceramente acolhido entre colegas e elevado a um panteão que grandes magistrados alcançaram...
                        Encantei-me com um Tribunal cuja sede tinha o nome de um magistrado que era símbolo de inquietação e polivalência (Coqueijo Costa foi de tudo um pouco: juiz, professor, músico, poeta...)
                        Decidi ser juiz, ouvindo um sábio homem e membro, por anos, deste tribunal: Dr. Washington Trindade, que aliava a experiência dos tribunais com a refinada reflexão juridica no magistério...
                        Aprendi a seriedade acadêmica com um dos maiores magistrados da história deste Regional, Pinho Pedreira, dignitário desta medalha em seu primeiro ano (1996), ano em que eu já estava na magistratura...
                        Aprendi método, lógica, coerência e a mais estrita retidão com o melhor professor que eu tive em minha vida, José Augusto Rodrigues Pinto, a quem devoto carinho filial e um amor que gerava até ciúme de meu “pai sanguíneo”.
                        Diante de tantos exemplos - e a palavra ensina, mas é o exemplo que arrasta... - como não sentir um chamado para o magistério?
                        E, nele, descobrir que é possivel se realizar duplamente, exercitando um outro sacerdórcio, que é a nobre arte de, mais do que entregar o resultado, fazer e viabilizar que o outro ande com suas próprias pernas, plante para depois colher, descubra qual é o sentido de cada viver...
                        O magistério e a magistratura não disputam espaço em minha vida, mas, sim, antes, complementam-se, forçando-me a pesquisar sempre (para que nunca ache que saiba de tudo), a tolerar sempre (para que nunca me convença que estou sempre com a razão) e a ouvir sempre (para nunca tomar partido sem garantir um direito substancial de defesa).
                        Quantas vezes, em sala de aula, não exercemos um papel tão relevante quanto nos tribunais, seduzindo, conquistando e desenvolvendo vocações para a nossa luta?
                        E, neste encantamento com a musa que simboliza a Justiça, percebi que não quero ser apenas uma moeda de duas faces...
                        Buscar a justiça é se permitir sentir a dor do outro e compreender a sua beleza e a sua visão...
                        Eu não quero me reduzir a falar nos autos, como se uma resposta processual fosse a palavra do Oráculo dos Delfos para um problema até então insolúvel...
                        Eu quero a vida.
                        Eu quero me compadecer do que sofre e compreender todo o sistema que está em sua volta.
                        Eu quero o convívio, a solidariedade, a alegria...
                        Eu quero a arte, o esporte, a filosofia...
                        Eu quero o canto, a dança e a poesia...
                        Eu quero ser um poliedro que se permite conhecer cada face pouco a pouco, sem necessidade de pressa ou ansiedade...
                        E esta é uma das vantagens da maturidade...
                        Quero, tal qual um Benjamin Button, tornar-me a cada dia mais jovem, se não no físico, pelo menos no espírito de poeta que se renova a cada respirar e a cada encanto da musa que lhe provoca o desejo, a inspiração e a transpiração...
                        Que esta musa seja você, meu recanto, minha casa, meu alimento e meu descanso...
                        Que esta musa seja você, minha família, meus amigos, meus colegas
                        Que esta musa seja você, meus mestres, meus alunos, meus discípulos
                        Que esta musa seja você, minha justiça
                        Muito obrigado.




sábado, 14 de dezembro de 2013

Mágoas


Mágoas

Rodolfo Pamplona Filho
Há quem prefira
vender uma amizade
por um cachê artístico;
desprezar um amor puro
por ouvir a opinião de uma prima;
desprestigiar o trabalho alheio
para tentar se auto-afirmar;
esquecer uma fraternidade solidária
para soar de vítima da situação;
humilhar com ar de superioridade
a efetivamente investigar o ocorrido;
tripudiar a imagem de colegas
para posar de voz da maioria;
blefar descaradamente e sem pudor
do que aceitar ajuda desinteressada;
ignorar a presença e o cumprimento
em vez de tentar um diálogo honesto;
fazer troça da desgraça alheia
para se sentir aceito no grupo;
perseguir incansavelmente
por não tolerar o diferente;
jogar fora a chance de fazer o Bem,
para se deleitar com seu veneno...

Isso só gera mágoa,
que vira raiva,
até se converter,
se houver o remédio
do esquecimento,
em profunda indiferença,
mesmo sendo cicatriz,
que não se apaga,
para ensinar
em quem vale confiar...

Pamplona, 03 de outubro de 2012, pensando sobre o passado...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A Mulher que mais amo na vida


A Mulher que mais amo na vida

Rodolfo Pamplona Filho

Há uma mulher que eu amo:
não há sensação melhor
do que colocá-la para dormir
e esperar seu despertar...

Há uma mulher que eu amo muito:
não houve dia mais feliz
do que o dia em que ela surgiu em minha vida,
dando sabor ao que era insípido,
dando cor ao que era apagado,
dando luz ao que era trevas...

Há uma mulher que eu amo demais:
cada ato por ela praticado,
cada palavra por ela dita,
cada ar que ela respira
aumenta a minha alegria infinita

Há uma mulher que eu amo bastante:
se o amor é inesgotável,
para ela, é o suficiente,
pois tudo que sou somente fez sentido
por, um dia, tê-la, nos meus braços, recebido.

Há uma mulher que eu amo loucamente:
por ela, mato e morro;
luto e não desisto; choro e rio;
no sol, chuva, calor ou frio.

Há uma mulher que eu amo...
É a mulher que eu amo mais na vida!
A mulher que eu amo mais na vida
é você, minha filha!

Praia do Forte, 10 de outubro de 2010.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Olhando os Campos da Espanha


Olhando os Campos da Espanha

Rodolfo Pamplona Filho
Olhando os Campos da Espanha,
pensei em toda minha existência,
a caminho de Pamplona,
origem e destino fundidos,
sem saber o que o futuro reserva
para cada momento a viver,
cada desafio a enfrentar
e cada decisão a tomar...

Sentado horas no trem,
entretido com imagens na janela
e ouvindo meu amigo Daniel a cantar
no music player do celular,
satisfeito com o passado construído,
revi cada instante vivido,
cada batalha vencida
e cada resolução assumida...

Esperando o tempo passar,
vi-me menino carente e homem feito,
com desejos ainda a saciar
e a nutrir esperanças de voltar
a acreditar em algo a encantar
cada segundo que resta da lida,
cada tarefa a ser perseguida
e cada mudança nos rumos da vida...

Olhando os Campos da Espanha...

No trem de Madrid para Pamplona, 02 de outubro de 2012.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Voltar a Viver


Voltar a Viver

Rodolfo Pamplona Filho

Meu Deus...
Quanto tempo desperdiçado...
podendo estar ao seu lado...
meus olhos se perdem
e se confundem
com o verde do mar...
e trazem a lembrança
que me faz sonhar...
que você é real
e que quero te abraçar...

Mas este mesmo Deus
permitiu-nos o reencontro...
para o qual finalmente
estávamos prontos...
o que talvez, na verdade,
não fosse possível no passado...
pela intensidade e maturidade
do puro amor revelado...

E a cada momento vivido,
que, para muitos, seria incompreensível
é cada dia mais bonito...
é cada dia mais incrível...
e me concede a certeza
de ser um presente da natureza
com uma indescritível beleza...

E não tenha dúvida de que algo nasceu
com animus de definitividade,
o que prova que serei sempre seu
e que voltar a viver não tem idade...

Salvador, 05 de outubro de 2010.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Azul Profundo (uma releitura para Marlus)


Azul Profundo

(uma releitura para Marlus)

Rodolfo Pamplona Filho
A conjunção das variáveis
solares, físicas, angulares
faz surgir...  ( : o inacreditável...

Entender que a luz altera
o tom, a cor encanta,
ao transpor, do verde, anil
Mergulhar, azul profundo, 
água do Cair - Be
ou do mar Santorini
ou domar Santa Irini

Planar seu... céus e planos,
como no vôo de Ícaro
ou Gagarin no espaço

Revelar eclipses, 
caminhos carinhos, 
nús horizontes
Saber o mistério do mistério, 
a que destina o segredo, 
do desejo, o impulso


De onde vem este encanto
entorpecente encontro)
que inebria sem embebedar?

o que quer a vida...
viver  uma vida
sem saber teus olhos?

Santorini, 27 de setembro de 2012